O debate sobre se deveriam estar lá
O Namib-Naukluft é o maior parque nacional da África e um dos maiores do mundo. A área de Garub onde os cavalos vivem corresponde a menos de 1% do parque. Ainda assim, o debate sobre a presença dos cavalos é real e persistente.¹
O argumento contra: cavalos são espécies exóticas na fauna sul-africana. Competem com gemsbok, springbok e steenbok por pastagem escassa. Em um ecossistema frágil como o deserto do Namibe, qualquer pressão adicional sobre a vegetação tem consequências. Funcionários da conservação namibiana já chamaram os cavalos de "burros" em referência ao seu status de espécie invasora.
O argumento a favor: o estudo de doutorado de Telané Greyling demonstrou que a área ocupada pelos cavalos é menos de 1% do parque e que a escassez de água impacta o crescimento das plantas muito mais do que os cavalos. A competição por alimento com a fauna nativa não é evidente nos dados. E os cavalos são, a esta altura, parte da história e da identidade da Namíbia. Greyling, que monitora o rebanho desde 1993, nomeou cada um dos 87 cavalos individualmente, não para domesticá-los, mas para registrar suas histórias e identificar padrões de comportamento ao longo do tempo.⁵
O Horses of the Namib Management Plan 2020-2029, documento oficial do Ministério do Ambiente namibiano, designa a área de Garub como Managed Resource Use Zone, reconhecendo formalmente os cavalos como parte do patrimônio histórico e cultural da Namíbia e estabelecendo critérios para manter a viabilidade da população.⁷
Em 1992, na independência da Namíbia, uma decisão reduziu o rebanho de 276 para 172 animais. Foram vendidos 104 cavalos. Muitos não se adaptaram aos novos habitats e morreram. Em 1997, outra tentativa de remoção de 35 animais: os cavalos foram levados para instalações de contenção em Hardap Dam, 350 km de Garub. Os garanhões ficaram progressivamente agressivos e tiveram de ser separados fisicamente. O leilão foi cancelado. Os 35 cavalos foram soltos de volta.⁶
O pico populacional foi 286 animais em 2012. O que se seguiu foi um colapso: em maio de 2019 havia apenas 77 cavalos, com 40 garanhões, 31 éguas e 2 potros. De 2013 a 2019, nenhum potro sobreviveu devido à seca extrema. Em 2025, a bióloga Telané Greyling, que monitora o rebanho desde 1993, contabilizou 87 animais.⁷