Cavalos e Suas Origens: Mustang — O Cavalo que os Americanos Chamam de Selvagem
O mustang descende de cavalos espanhóis de 1493 e quase desapareceu. Origem, genética, Kiger, Wild Horse Annie, crise atual e como funciona no Brasil.
O mustang descende de cavalos espanhóis de 1493 e quase desapareceu. Origem, genética, Kiger, Wild Horse Annie, crise atual e como funciona no Brasil.

Ao longe, à nossa direita, o rebanho se estendia até onde a vista alcançava. À esquerda, igualmente. Não havia como estimar o número de animais; não acredito que todos coubessem no estado de Rhode Island ao mesmo tempo.
— Ulysses S. Grant, em suas memórias, descrevendo uma manada entre o Rio Nueces e o Rio Grande, Texas, 1846.¹
Cavalos e burros selvagens e em vida livre são símbolos vivos do espírito histórico e pioneiro do Oeste, que continuam a contribuir para a diversidade das formas de vida da Nação e a enriquecer a vida do povo americano.
— Wild Free-Roaming Horses and Burros Act, Congresso dos Estados Unidos, 15 de dezembro de 1971.³
O BLM captura cavalos excedentes e os oferece para adoção. Qualquer pessoa pode se candidatar demonstrando instalações adequadas. O custo histórico era de US$ 125 por animal. Em 2019, diante da superpopulação nas instalações de detenção, o BLM chegou a pagar US$ 1.000 a quem adotasse, o Adoption Incentive Program. O programa foi encerrado por ordem judicial em 3 de março de 2025. O adotante mantém o cavalo sob proteção federal por um ano; após esse período pode requerer o título definitivo. Animais treinados pelo Extreme Mustang Makeover, que dá 100 dias a treinadores voluntários, alcançam preços maiores em leilão: no Kiger de 2007, dois exemplares foram por US$ 7.800 e US$ 7.400 cada.⁹
Não há importação direta pelo BLM. O caminho é adotar nos EUA e arcar com transporte internacional, quarentena e taxas de importação, ou comprar de criadores privados americanos com animais já documentados. No mercado brasileiro, animais sem treinamento ficam entre R$ 5.000 e R$ 15.000; exemplares treinados ou de linhagem Kiger documentada podem ultrapassar R$ 30.000. Parte do que circula no mercado informal como "mustang" não tem procedência verificável junto ao BLM.⁹
Sim. O programa Extreme Mustang Makeover documenta isso regularmente: em 100 dias, treinadores preparam animais para competições de adestramento, salto e trabalho com gado. Mustangs capturados jovens se adaptam melhor. O temperamento varia entre rebanhos, com alguns mais reativos. Não é adequado para cavaleiros sem experiência, mas não é mais difícil que trabalhar com raças domésticas de temperamento forte.⁹
Existe e é aceito na raça, mas não é a pelagem mais comum. Alazão, baio e dun predominam, especialmente nos rebanhos com mais ancestralidade ibérica. Mustangs pretos com procedência documentada pelo BLM são mais difíceis de encontrar no Brasil e tendem a custar mais pela demanda estética.¹
Sim, mas em número pequeno e sem associação de criadores registrada. Os animais chegam por importação individual dos EUA. Não há dado verificável sobre o plantel total no país. O mustang não tem stud book nacional nem reconhecimento oficial de raça no Brasil.⁹