Cavalos e Suas Origens: Cavalo Árabe — O Ancestral Universal das Raças de Sela Modernas

O cavalo árabe está na origem de 95% dos cavalos de corrida do mundo. Três mil anos de criação Beduína, quatro condições genéticas com teste e o domínio no enduro mundial.

Cavalos e Suas Origens: Cavalo Árabe — O Ancestral Universal das Raças de Sela Modernas
A cabeça côncava e a cauda elevada: as marcas que fazem o Árabe inconfundível. Foto: Divulgação/ABCCA
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Há um cavalo que está na origem de quase tudo que existe no mundo equestre. O Puro Sangue Inglês descende dele. O Mangalarga Marchador descende dele. O Campolina descende dele. O Lipizzaner, o Andaluz, o Trakehner — todos têm sangue Árabe em algum ponto da genealogia. As tribos Beduínas da Península Arábica criaram esse cavalo há mais de três mil anos. O que elas valorizavam não era o que você provavelmente imagina.
3.000+Anos de história documentada
WAHOOrganização do stud book mundial
4Condições genéticas com teste disponível
O Cavalo Árabe é a raça equina mais influente da história, originária da Península Arábica e criada pelas tribos Beduínas, povos nômades do deserto, há mais de três mil anos. É reconhecido pelo perfil côncavo abaixo dos olhos, pela cauda erguida em movimento e pela resistência física excepcional. Contribuiu com seu sangue para a formação do Puro Sangue Inglês e de centenas de raças ao redor do mundo.¹ ²

O stud book mundial é administrado pela WAHO, a World Arabian Horse Organization, organização internacional que regula o registro e a pureza da raça. No Brasil, o registro é feito pela ABCCA, a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe. O nome oficial no Brasil é Puro Sangue Árabe, ou PSA. Nos países de origem, a raça é chamada de Al Kheyl, que em árabe significa simplesmente "o cavalo", como se fosse o único que merece o nome.¹

Uma origem que se perde no tempo

A criação do Cavalo Árabe é a mais antiga documentada pela humanidade. Sua existência pode ser estimada em mais de três mil anos, a partir de representações em paredes de pedra e objetos de arte encontrados no Egito, na Grécia e no Sudeste Asiático. 

Os baixos-relevos assírios abrigados no British Museum e os registros hieroglíficos datados das épocas dos faraós Seti I, por volta de 1370 a.C., e Ramsés II, por volta de 1200 a.C., já retratavam esses animais com clareza.¹

Mas a história documentada é apenas parte da história real. Muito antes de qualquer registro escrito, as tribos Beduínas da Península Arábica já criavam cavalos de tipo árabe reconhecível por gerações. 

Como observa Cynthia Culbertson, pesquisadora especializada na história da raça, todos os criadores de hoje estão sobre os ombros de gerações de criadores Beduínos que não precisaram de stud books, os registros genealógicos formais da raça, para produzir um dos animais mais bem-sucedidos da história. Usavam algo mais preciso: a memória oral das linhagens, transmitida como um bem sagrado da família.³

O que os Beduínos realmente valorizavam

Para entender o Árabe, é preciso entender para que ele foi criado. A melhor janela para isso é a poesia pré-islâmica. Os poetas Beduínos eram ao mesmo tempo historiadores e genealogistas de suas tribos, e seus poemas registraram com precisão o que tornava um cavalo extraordinário.³

Culbertson analisou essa poesia e os resultados surpreendem quem imagina que os Beduínos eram obcecados com aparência. O que mais aparece nos poemas, em ordem de importância:³

Pureza de sanguePresente em quase todos os poemas. A pureza não era vaidade — era sobrevivência. Um cavalo de sangue conhecido e provado era um parceiro confiável numa razia, uma incursão de ataque a cavalo típica das tribos, ou numa fuga.
Os cascosAparecem em quase todos os poemas. Os Beduínos tinham um ditado: o casco ideal é redondo como a chávena de uma criança pequena. Largo, redondo, resistente. Numa época sem ferradores, um casco fraco era sentença de morte.
A resistênciaOs poetas celebravam o cavalo que continuava ao galope pleno quando os outros arrastavam os pés no pó. Os Árabes têm proporção maior de fibras musculares de contração lenta, as fibras responsáveis pela resistência aeróbica de longa duração, em relação a outras raças.
O galope e o passoO trote não aparece nem uma vez na poesia Beduína como qualidade a ser elogiada. Os Beduínos nunca andavam ao trote — consideravam essa marcha vulgar e indigna. O que valorizavam era um passo majestoso e um galope leve e coberto. O trote que hoje admiramos nos Árabes é consequência indireta dessa seleção, não uma prioridade dos criadores.
A agilidadePresente em quase todos os exemplos analisados. Um cavalo de guerra usado em ataques de surpresa precisava atacar, fugir e virar em frações de segundo.
O temperamentoOs poetas Beduínos não queriam apenas coragem nem apenas docilidade — queriam os dois ao mesmo tempo. Um poema resume: "Cheio de espírito é ele — então, quando o acalmas, tratável, de temperamento gentil, fácil de controlar." Os dois lados da moeda eram igualmente valorizados.

A relação Beduína com o cavalo

O que diferenciava a criação Beduína de quase tudo que existia no mundo ocidental na mesma época era a relação íntima entre humano e animal. Os cavalos viviam literalmente dentro das tendas com as famílias. 

As éguas com potros entravam para se abrigar do frio ou do calor. As crianças cresciam entre as pernas dos cavalos desde que aprendiam a engatinhar.³

O suíço Burkhardt, que viajou entre os Beduínos no século XIX, registrou em detalhes: os Beduínos nunca deixavam um potro cair no chão no momento do nascimento. Recebiam-no nos braços e o tratavam com o maior cuidado por várias horas, lavando e massageando os membros delicados como se fosse uma criança.³

O viajante d'Arvieux, no século XVII, descreveu o que via: nunca batiam em seus cavalos, conversavam e raciocinavam com eles, e tinham o maior cuidado imaginável.

Era um contraste absoluto com o tratamento que os cavalos recebiam na Europa da mesma época, onde o chicote era instrumento padrão e muitos animais tremiam só de ouvir o barulho do tratador entrando no estábulo.³

Esse manejo desde o nascimento produziu cavalos socializados como parte da família humana. E as éguas que não formavam esse vínculo simplesmente não eram reproduzidas. A seleção para o vínculo com humanos foi parte intencional do processo Beduíno por milênios.³

O Árabe conquista o mundo

Em 632 d.C., o Cavalo Árabe era a peça central da cavalaria dos exércitos islâmicos: rápida, ágil, sem equivalente. As conquistas que se seguiram foram em parte uma demonstração de superioridade equestre.¹

636 d.C.Conquista da Síria pelos exércitos islâmicos.
641 d.C.Conquista do Egito.
651 d.C.Conquista da Pérsia.
711 d.C.A cavalaria islâmica atravessa o norte da África, entra na Europa pela Península Ibérica e avança em direção à França, sendo detida no coração do continente.
1095 d.C.As Cruzadas começam. O contato com os cavalos orientais deixa clara para os europeus a superioridade do sangue árabe como animal de combate, espalhando esse sangue por toda a Europa.
1683 d.C.O rei Jan III da Polônia detém o avanço do Império Otomano nos portões de Viena, num dos maiores confrontos de cavalaria da história europeia.

A criação do Puro Sangue Inglês

O capítulo mais documentado da influência do Árabe sobre a equinocultura mundial é a criação do Puro Sangue Inglês, a raça de corrida mais veloz do mundo.

No início do século XVIII, quatro garanhões orientais foram importados para a Inglaterra e cruzados com éguas locais. Seus descendentes tornaram-se todos os cavalos de corrida do mundo.¹

Darley ArabianComprado em Alepo, Síria, por Thomas Darley em 1704. Gerou as linhagens que dominam as corridas até hoje — considera-se que cerca de 95% dos cavalos de corrida atuais descendem de seu bisneto Eclipse.
Byerley TurkCapturado durante o cerco a Buda em 1684. Fundou a linhagem Herod. Pode ter sido um Akhal-Teke ou Turcoman em vez de um Árabe puro — as fontes divergem.
Godolphin ArabianNascido em 1724 no Iêmen. Fundou a linhagem Matcham.
Alcock ArabianComprado em Constantinopla entre 1700 e 1717. Considerado o pai de todos os cavalos de corrida de pelagem tordilha.

Como é o Cavalo Árabe

O Puro Sangue Árabe tem uma estrutura óssea distinta de qualquer outra raça. Em comparação com outros cavalos, possui o crânio relativamente mais curto, maior capacidade craniana e uma vértebra dorso-lombar a menos, o que explica o dorso e o lombo mais curtos e a garupa mais horizontal e longa que caracterizam a raça.¹ ²

Altura140 a 158 cm na cernelha.
Peso340 a 460 kg.
CabeçaPerfil côncavo abaixo dos olhos, o chamado perfil dished. Narinas longas e abertas. Olhos grandes e bem afastados. Ganachas, os ossos laterais da mandíbula, bem afastadas da garganta, permitindo respiração livre em galope.
Pescoço e cernelhaPescoço longo e arqueado, implantado alto. Cernelha proeminente.
CaudaInserida alta e carregada erguida em movimento, uma das características mais reconhecíveis da raça e citada na poesia Beduína como marca de distinção.
Pelagens aceitasCastanha, alazã, tordilha e preta. O branco puro ocorre em animais tordilhos que clarificam completamente com a idade. Pampa e pintada são aceitas apenas para Cruza-Árabe.
Vértebras17 vértebras dorsais em vez de 18, cinco lombares em vez de seis, 16 ou 17 coccígeas em vez das 18 típicas. Uma das poucas diferenças ósseas documentadas entre o Árabe e outras raças.

Temperamento

O Árabe tem duas faces de temperamento que parecem contraditórias mas são, na prática, inseparáveis: coragem e docilidade. Os Beduínos selecionaram conscientemente para as duas ao mesmo tempo, e a poesia antiga celebra essa combinação como o ideal.³ ⁴

Pesquisas de temperamento conduzidas na França e na Rússia confirmam o que os criadores sabem há séculos. Os Árabes pontuam alto em curiosidade e inteligência, e alto em excitabilidade: respondem rápido aos estímulos, são alertas e expressivos. Quando bem criados e socializados, essa excitabilidade vem acompanhada de segurança. O cavalo acende e apaga, sabe distinguir uma ameaça real de um susto desnecessário.⁴

A pesquisadora Emma Maxwell identifica um problema nos Árabes criados para apresentação em pista de halter, modalidade em que o cavalo é apresentado a pé e julgado pela conformação. 

A expressão exigida nesses contextos é frequentemente obtida através da tensão e da ansiedade induzidas no animal. Com o tempo, isso pode selecionar involuntariamente cavalos ansiosos em vez de cavalos excitáveis.

A diferença importa: um cavalo excitável e seguro é um prazer de manejar. Um cavalo excitável e ansioso é imprevisível.⁴ O Árabe bem criado forma vínculos profundos com seu dono, mais próximo de um cão do que da maioria dos cavalos nessa dimensão de lealdade.³

O Árabe no Brasil

O Brasil tem uma das maiores populações de Cavalos Árabes da América Latina. A ABCCA é responsável pelo stud book e pela promoção da raça no país. O Árabe brasileiro destaca-se especialmente no enduro equestre, a modalidade de percurso de longa distância a cavalo, na qual domina mundialmente.¹

A fisiologia explica o domínio no enduro: baixa frequência cardíaca de repouso com alto volume de ejeção, a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada batimento, maior proporção de fibras musculares de resistência aeróbica e capacidade de recuperação cardiovascular rápida. Herança direta de milênios de adaptação ao deserto.¹

O Anglo-Árabe, resultado do cruzamento entre Árabe e Puro Sangue Inglês, foi oficialmente inaugurado no Brasil em 1970, com o primeiro registro na ABCCA. O primeiro Anglo-Árabe nascido no país foi Jango, em 1948 na Coudelaria de Colina, em São Paulo, filho de Anglo-Árabes importados da Hungria. O Brasil conta hoje com mais de quatro mil Anglo-Árabes registrados.¹

A Cruza-Árabe designa animais com pelo menos 50% de sangue árabe registrados no stud book da ABCCA. Compete com sucesso em provas de enduro, hipismo rural, corridas e adestramento.¹

Condições genéticas

O Árabe tem quatro condições hereditárias específicas com testes disponíveis. Todas são autossômicas recessivas: dois portadores saudáveis precisam ser cruzados para produzir um potro afetado. Um portador cruzado com um animal livre nunca produz um potro afetado.²
SCIDImunodeficiência Combinada Grave. O potro afetado nasce com sistema imunológico gravemente comprometido e geralmente morre antes dos seis meses de uma infecção oportunista. Teste disponível há mais de 20 anos.
CAAtrofia Cerebelar. Condição neurológica que causa morte progressiva de neurônios no cerebelo após o nascimento. Potros afetados desenvolvem tremores de cabeça e perda de equilíbrio. A maioria é sacrificada antes da idade adulta. Teste disponível desde 2011.
LFSSíndrome do Potro Lavanda. Potros afetados nascem com diluição da coloração da pelagem e disfunção neurológica grave, incapazes de ficar de pé. Invariavelmente fatal. Teste disponível desde 2009.
OAAMMalformação Occipito-Atlanto-Axial. Malformação das primeiras vértebras cervicais que causa compressão da medula espinhal. Sintomas variam de leve descoordenação à paralisia. Raro. Teste disponível para uma forma específica da condição.
Recomendação da WAHOA WAHO apoia fortemente os testes voluntários antes do cruzamento e a divulgação transparente dos resultados pelos criadores. Dado o tamanho relativamente pequeno da população de Árabes puros em relação à influência da raça, a diversidade genética é uma preocupação constante dos programas de conservação.

Curiosidades

Al Kheyl: simplesmente "o cavalo"Em árabe, o nome da raça é Al Kheyl, que significa literalmente "o cavalo". Não "o cavalo árabe", não "o cavalo do deserto" — apenas "o cavalo", como se fosse o único que merece o nome. Os povos que criaram essa raça por milênios não precisavam de adjetivos para distingui-la.
Os Beduínos nunca admiraram o troteUma das descobertas mais surpreendentes da pesquisa de Cynthia Culbertson sobre a poesia Beduína: o trote não aparece nem uma vez como qualidade a ser elogiada. Os Beduínos consideravam essa marcha vulgar e indigna. O que valorizavam era um passo majestoso e um galope leve. O trote admirável dos Árabes modernos é, portanto, uma consequência indireta da seleção para passo e galope — não uma característica que os criadores originais se preocuparam em desenvolver.
Os potros recebidos nos braçosO suíço Burkhardt, viajando entre os Beduínos no século XIX, ficou impressionado com uma prática específica: no momento do nascimento, os Beduínos nunca deixavam o potro cair no chão. Recebiam-no nos braços e o tratavam com cuidado por várias horas, lavando e massageando os membros delicados como se fosse uma criança humana. Essa socialização desde o primeiro segundo de vida é parte da explicação para o vínculo excepcional que os Árabes formam com humanos.
95% dos cavalos de corrida do mundoEstima-se que cerca de 95% de todos os cavalos de corrida do mundo descendem do Darley Arabian, garanhão comprado em Alepo em 1704. Especificamente através de seu bisneto Eclipse, que venceu todas as suas corridas nos anos 1760 e 1770 sem jamais ser derrotado. A influência de um único garanhão árabe sobre a equinocultura esportiva mundial é difícil de exagerar.
O problema involuntário do halterA pesquisadora Emma Maxwell identificou um efeito colateral indesejado da seleção para apresentação em pista de halter: a expressividade exigida nos julgamentos muitas vezes é obtida pela indução de tensão e ansiedade no animal. Se esse critério é aplicado por gerações, pode selecionar involuntariamente cavalos ansiosos em vez de cavalos naturalmente expressivos. É uma distinção que os criadores conscientes do Brasil e do mundo têm debatido desde os anos 2000.
O primeiro Anglo-Árabe brasileiroJango nasceu em 1948 na Coudelaria de Colina, em São Paulo, filho de Anglo-Árabes importados da Hungria. Mais de 70 anos antes de qualquer registro formal da categoria no Brasil: o registro oficial do Anglo-Árabe pela ABCCA só foi inaugurado em 1970. Jango foi o primeiro, mas durante décadas existiu sem uma categoria oficial para chamá-lo pelo nome.

Ficha técnica


NomeCavalo Árabe / Arabian horse / Puro Sangue Árabe (PSA)
Nome árabeAl Kheyl (الخيل) — "o cavalo"
OrigemPenínsula Arábica — criado pelas tribos Beduínas
História documentadaMais de 3.000 anos. Representações em arte egípcia e assíria.
Stud book mundialWAHO — World Arabian Horse Organization
Stud book BrasilABCCA — Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe
Altura140 a 158 cm na cernelha
Peso340 a 460 kg
Pelagens aceitasCastanha, alazã, tordilha e preta (Árabe Puro). Branco em tordilhos que clarificam.
Vértebras17 dorsais, 5 lombares, 16-17 coccígeas (versus 18, 6 e 18 nos outros cavalos)
Aptidão principalEnduro equestre, corridas, hipismo rural, adestramento
Raças derivadasPuro Sangue Inglês, Orloff, Trakehner, Andaluz, Lipizzaner, Anglo-Árabe e centenas de outras
Anglo-Árabe no BrasilMais de 4.000 registrados. Primeiro nascido: Jango, 1948, Coudelaria de Colina, SP.
Condições genéticasSCID, CA, LFS, OAAM — testes disponíveis para as quatro

O Árabe é adequado para iniciantes?

Depende do indivíduo e da criação. Um Árabe bem socializado desde potro, com temperamento equilibrado, pode ser um excelente cavalo para cavaleiros de nível intermediário. O problema surge com animais criados para apresentação em pista de halter, que podem ter sido selecionados involuntariamente para ansiedade. Avalie o temperamento do animal específico, não apenas a raça.⁴

Por que o Árabe domina o enduro?

Combinação de fatores fisiológicos: maior proporção de fibras musculares de resistência aeróbica, baixa frequência cardíaca de repouso com alto volume de ejeção e capacidade de recuperação cardiovascular rápida. Herança de milênios de adaptação ao deserto. Em provas longas em terreno irregular, nenhuma outra raça se aproxima dos resultados do Árabe.¹

Qual a diferença entre Árabe Puro, Anglo-Árabe e Cruza-Árabe?

O Árabe Puro tem pedigree rastreável exclusivamente a linhagens árabes reconhecidas pela WAHO. O Anglo-Árabe é o cruzamento específico entre Árabe e Puro Sangue Inglês, com percentual de sangue árabe entre 25% e 75%. A Cruza-Árabe é qualquer animal com pelo menos 50% de sangue árabe registrado no stud book da ABCCA.¹

O Árabe tem menos vértebras que outros cavalos?

Sim. O Árabe tipicamente tem 17 vértebras dorsais em vez de 18, cinco lombares em vez de seis, e 16 ou 17 coccígeas em vez das 18 típicas. Essa estrutura contribui para o dorso curto e a garupa longa características da raça. É uma das poucas diferenças ósseas documentadas entre o Árabe e outras raças.¹ ²

O Árabe existe em todas as cores?

Não. As cores aceitas para Árabe Puro são castanha, alazã, tordilha e preta. O branco puro também ocorre, geralmente em animais tordilhos que clarificam completamente com a idade. Cores como pampa e pintada são aceitas apenas para animais Cruza-Árabe.¹

Fontes

  1. Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe (ABCCA). Nossa raça — características, história e raças derivadas. Disponível em: abcca.com.br.
  2. World Arabian Horse Organization (WAHO). Doenças genéticas e testes disponíveis. Artigo oficial WAHO, atualizado setembro 2020.
  3. Culbertson, Cynthia. Bedouin Tradition and its Relevance Today. Apresentação na WAHO Conference 2014, Doha, Qatar.
  4. Maxwell, Emma. Horse Character in Breeding. Apresentação na WAHO Conference 2011. Publicado em Arabian Horse World, fevereiro 2012.
André Ferreira

André Ferreira

André é o responsável atual pela condução editorial e estratégica do Multicavalos, um portal voltado ao universo equestre. Entusiasta do ramo, André dedica-se ao estudo e à observação do setor, buscando compreender suas práticas, rotinas, desafios e evoluções.