Cavalos e Suas Origens: Cavalo Bretão — O Melhorador de Tração da Bretanha
O cavalo bretão, raça de tração da Bretanha, chegou ao Brasil pela artilharia do Exército. Hoje suas éguas viram amas de leite, o uso mais inesperado da raça.
O cavalo bretão, raça de tração da Bretanha, chegou ao Brasil pela artilharia do Exército. Hoje suas éguas viram amas de leite, o uso mais inesperado da raça.

| Altura | De 1,45 m a 1,70 m na cernelha, com média entre 1,55 m e 1,63 m. Porte médio para um cavalo de tração.⁶ |
| Peso | Entre 750 e 950 quilos. Animais de açougue, em geral do tipo Trait, chegam perto de uma tonelada.⁶ ⁷ |
| Cabeça e pescoço | Cabeça curta e quadrada, de volume médio e perfil reto; pescoço curto e musculoso, embora o padrão busque um pescoço mais longo.⁶ |
| Corpo | Compacto, de dorso curto e largo, garupa larga e frequentemente dupla (tão musculosa que um sulco a divide ao meio), membros curtos e fortes com fanões abundantes, os tufos de pelo longo que descem sobre os cascos.⁶ |
| Pelagem | Predomina o alazão de crina e cauda claras; o padrão aceita ainda baio, ruão e outras pelagens escuras, mas não o tordilho.⁶ |
| Temperamento | Calmo, dócil e estável, rústico e de manejo simples, o que o fez popular também como cavalo de companhia.³ |
São duas raças de tração francesas, mas de portes diferentes. O Percheron é maior, costuma passar de 1,60 m e aparece com frequência nas pelagens tordilha e preta. O Bretão é de porte médio, em torno de 1,58 m, quase sempre alazão de crina e cauda lavadas, e o seu padrão não aceita o tordilho.⁹ ¹¹ A origem também separa os dois: o Percheron vem da região do Perche, na Normandia, e o Bretão, da Bretanha.
O temperamento ajuda, mas o porte pede cautela. O Bretão é calmo, dócil e de manejo simples, o que faz dele um bom cavalo para quem está aprendendo a lidar com cavalos pesados.¹² ¹¹ Por outro lado, força e tamanho impõem respeito. O forte da raça é a tração; para montaria, o tipo Postier, mais leve, é o mais indicado.
Tem dois principais. O Bretão pode carregar a epidermólise bolhosa juncional (EBJ), doença genética fatal da pele em potros, e a PSSM tipo 1, distúrbio do acúmulo de açúcar no músculo.¹¹ ⁹ Como todo cavalo pesado, também é sensível à obesidade e à laminite, inflamação dolorosa do casco ligada ao excesso de peso.¹¹ Testes genéticos para EBJ e PSSM1 permitem evitar o cruzamento de portadores.
As referências de raça situam a expectativa entre 20 e 30 anos, com tendência à parte baixa dessa faixa. Como as raças pesadas em geral, o Bretão vive um pouco menos que os cavalos leves, e o peso cobra das articulações e dos cascos ao longo da vida.¹¹ Boa alimentação, controle do peso e cuidado com os aprumos, o alinhamento dos membros, esticam essa expectativa.
Não. É uma das raças de tração mais numerosas da França e está em expansão desde os anos 1990, enquanto boa parte dos cavalos pesados europeus minguava.⁶ Fora da França, o maior rebanho está no Brasil.² A raça não corre risco de desaparecer; o que se perdeu foi o trabalho agrícola que a sustentava, hoje substituído por usos como a atrelagem esportiva e a função de ama de leite.³
"Riding the Breton Draft Horse in France", do canal DiscoverTheHorse: uma amazona monta um bretão a passo pelo oeste da França. Raça de tração, o bretão é montado bem menos do que é atrelado. (Vídeo: DiscoverTheHorse / YouTube)