Cavalos Famosos: Krepysh — O trotador Orlov que virou causa nacional
Recusado por todos os compradores em 1904, Krepysh virou o maior trotador Orlov da história. E quase tudo que se sabe dele foi escrito pelo próprio dono.
Recusado por todos os compradores em 1904, Krepysh virou o maior trotador Orlov da história. E quase tudo que se sabe dele foi escrito pelo próprio dono.

Recordes documentados da raça na distância, não o desempenho médio do Orlov. Polonchuk, Zolotoy Mustang n. 4(83) e n. 4(84), 2009.
No encontro seguinte a revanche saiu, e saiu por um caminho que Polonchuk descreve como não exatamente esportivo. Sabendo que Nevzgoda se desgastava rápido antes da largada, Shapshal convenceu Yakovlev a atrasar a partida em dez minutos. A égua queimou a energia parada e Krepysh venceu.
Terminada a prova, o cavalo desfilou diante das arquibancadas coberto por uma manta feita sob medida para aquele dia, com uma frase bordada: "ri melhor quem ri por último".
A peça não sobreviveu e é conhecida apenas por relato. O que ela registra é o método: a vitória foi obtida na largada, e a versão que ficaria estava costurada antes de o público sair do hipódromo.³
A maior parte do que se conta sobre Krepysh nasceu de duas mãos interessadas. M. M. Shapshal, dono e treinador, escreveu a Biografia de Krepysh, que é a origem da versão que circula até hoje, inclusive da explicação para a derrota no Derby de 1908. Yakov Butovich, criador e colecionador, investigou a morte do cavalo e publicou o resultado sem conseguir fechá-la.
As duas reportagens de Alla Polonchuk na Zolotoy Mustang, publicadas em números seguidos de 2009, são a fonte contemporânea mais completa em russo, e é a autora quem aponta as costuras: o recorde de tempo corrido duas horas antes do Derby, que a explicação de Shapshal não acomoda, e a largada atrasada que produziu a revanche contra Nevzgoda.
Nas mesmas duas reportagens o tempo dos 3.200 metros aparece como 4.25,7 numa e 4.25,8 na outra, e a data de nascimento sai impressa como 1944 em vez de 1904. São erros de edição, não divergência de fonte.
O nome do pai de William Keaton diverge entre as fontes. A reportagem da Zolotoy Mustang o registra apenas como S. Keaton; Urnov o nomeia Frank.
Urnov apoia-se no testemunho escrito de V. P. Volkov, cujo próprio pai trabalhou como ajudante de Frank e que descreve a família inteira, com William e Samuel como os dois filhos condutores. O texto segue Urnov, por ser o relato com testemunha nomeada.
Duas coisas ficaram sem verificação. O total consolidado da carreira, 79 largadas e 55 vitórias, aparece na Wikipedia em russo mas não nas reportagens assinadas, cujos números por temporada somam menos que isso.
E a ligação genealógica entre Krepysh e Kovboy depende de um elo, a ascendência materna do garanhão Blokpost, que só existe no livro genealógico da raça, cuja base não permite consulta livre.
Depende da distância. Nos 1.600 metros o recorde caiu ainda em vida dele, para a mestiça Prosti. Em 1939, dos 14 Orlov que correram 2.10 ou melhor nessa distância, oito já eram mais rápidos que Krepysh.
Porque foram selecionados para coisas diferentes. O trotador americano veio de gerações escolhidas só por velocidade em pista de corrida. O Orlov, desde a fundação da raça, era provado em percursos que iam de três quilômetros a mais de vinte, puxando peso em estrada no verão e em trenó no inverno. Quando a Rússia adotou o formato americano, o teste deixou de medir aquilo em que o Orlov era bom.
Sim. O Prêmio Internacional de 1912 ocupa várias páginas do romance O neto de Taglioni, de Piotr Shiryaev, e a mesma prova aparece no filme soviético Krepysh. O dono do cavalo, M. M. Shapshal, escreveu a Biografia de Krepysh, que é a origem de boa parte do que se conta sobre ele.
Criador e colecionador russo, dono do haras de Prilepy, onde reuniu cavalos Orlov e arte equestre. Manteve Gromadny, o pai de Krepysh, e investigou a morte do cavalo em 1918 sem conseguir reconstituí-la.