Cavalos e Suas Origens: Cavalo da Floresta Negra — A Raça que Sobreviveu Desobedecendo a Lei

O Schwarzwälder Kaltblut sobreviveu desobedecendo o Körgesetz de 1880. Em 1973, restavam quatro garanhões. Hoje volta ao trabalho na floresta.

Cavalos e Suas Origens: Cavalo da Floresta Negra — A Raça que Sobreviveu Desobedecendo a Lei
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No outono de 1973, a contagem oficial do Pferdezuchtverband fechou o pior ano da história documentada da raça. Restavam quatro garanhões reprodutores em todo o Schwarzwald e 103 coberturas registradas. Vinte e cinco anos antes, em 1948, foram 1.322 coberturas. Naquele ano, na parada de garanhões em Marbach, o Landstallmeister Dr. Georg Wenzler disse ao microfone que provavelmente seria o último ano com Schwarzwälder Kaltblüter. Os criadores presentes ouviram em silêncio.
~1450Dingrodel cobra 4 pfennigs por potro
4Garanhões reprodutores em 1973
1.000Éguas registradas na Alemanha em 2022
O Cavalo da Floresta Negra, em alemão Schwarzwälder Kaltblut, também chamado de Schwarzwälder Fuchs, St. Märgener Fuchs ou simplesmente Wälderpferd, é uma raça de tração leve a média originária do sul da Alemanha. A área histórica de criação fica entre o Hotzenwald e o Kinzigtal, no estado de Baden-Württemberg, e o stud book oficial fechado, o Ursprungszuchtbuch, é mantido pelo Pferdezuchtverband Baden-Württemberg e.V. (PZVBW), com sede em Gomadingen-Marbach.¹ ²

A raça é reconhecida como Kulturgut do estado de Baden-Württemberg e está sob programa de conservação coordenado pelo Haupt- und Landgestüt Marbach e pelo Ministerium für Ländlichen Raum. O que a diferencia das outras raças de tração alemãs é a combinação de três fatos: foi criada por bauern de montanha em altitudes acima de 600 metros, sobreviveu a três tentativas estatais de descaracterização entre 1880 e 1960, e permaneceu como única raça equina nativa do Hochschwarzwald, ao lado do gado Vorderwälder e Hinterwälder.³ ⁴

1118: os mosteiros agostinianos coordenam a criação

Entre 1115 e 1118, o conde Bruno von Haigerloch-Wiesneck, chanceler do imperador Heinrich V, fundou no alto do Schwarzwald o mosteiro Maria-Zell. O nome evoluiu pelos séculos para Marienzell, Sante Merien, e finalmente St. Märgen. A povoação cresceu em torno do mosteiro, a 900 metros de altitude.⁵

Os cônegos agostinianos não cuidavam apenas da liturgia. Coordenaram a criação local de cavalos com os mosteiros vizinhos de St. Peter e St. Blasien. Os três mosteiros do Hochschwarzwald construíram um sistema de seleção bottom-up que precedeu qualquer stud book oficial em mais de seiscentos anos.¹ ⁶

O registro escrito mais antigo são os Dingrodel, listas de tributos da Abadia de St. Peter datadas do início do século XV. Em torno de 1450, fixaram a taxação de quatro pfennigs por potro nascido. Continuidade contábil suficiente para mostrar que a Pferdezucht tinha relevância econômica regional.⁶ ⁷

9 de abril de 1880: o Körgesetz e a desobediência

O Körgesetz badense entrou em vigor em 9 de abril de 1880. A partir dessa data, éguas só podiam ser cobertas por garanhões aprovados pelo estado, e o Landgestüt em Karlsruhe impôs cruzamento com raças pesadas estrangeiras: belgas, ardennais e renanos. O cálculo era político e econômico, comércio e indústria do final do século XIX exigiam cavalos maiores e mais musculosos para tração em estradas pavimentadas, e os Schwarzwälder de tipo leve não cabiam no novo modelo.⁸

Os bauern do Schwarzwald não obedeceram. A estratégia ficou conhecida como schwarzer Sprung, ou cobertura clandestina: o criador levava a égua primeiro a um garanhão Schwarzwälder local, esperava o ciclo terminar, e só depois levava ao garanhão belga oficial. Cumpria a lei no papel. Na prática, mantinha o tipo Wälderpferd vivo.⁹ ¹⁰

A resistência durou oitenta anos. Os bauern pagavam multas e seguiam adiante. O argumento técnico estava do lado deles: cavalos cruzados com belgas pesados não funcionavam no terreno íngreme do Hochschwarzwald, onde o que vale é agilidade e tração curta. Anton Straub, criador e Bürgermeister em Langenordnach, resumiria décadas depois a frustração com a papierene Landwirtschaft, ou agricultura de papel: cavalos pesados não prosperavam sem aveia e sem cuidado especial, exatamente os recursos que faltavam aos bauern de altitude.⁶

1896: a primeira sichtung e a sociedade dos criadores

No mesmo ano em que se fundou em St. Märgen a Schwarzwälder Pferdezuchtgenossenschaft, primeira sociedade de criadores da raça, o estado realizou uma Sichtung, inspeção dos cavalos do Schwarzwald. Foram avaliados entre 800 e 900 animais. Apenas cerca de 250 correspondiam ao fenótipo Wälderpferd que os bauern defendiam. A maioria era heterogênea, fruto de cruzamentos forçados de décadas anteriores.¹¹

Manfred Weber, atual Zuchtleiter de Klein- und Kaltblutpferde do PZVBW, descreve o quadro: Württemberg queria cavalos pesados, mas os bauern badenses precisavam de tipos compactos para o ir e vir das encostas. No caminho de casa, depois do garanhão estatal, os bauern recobriam as éguas com garanhão da escolha deles.¹¹

A partir de 1896, a sociedade introduziu 107 garanhões de fora para revigorar a base genética sem perder o tipo: 41 Noriker da Baviera e Áustria, 22 Ardenner, 18 Unterbadische, 14 Rheinisch-Deutsche e Belgier de várias regiões.⁴

O caso emblemático é o do ardennais Marquis B7, nascido em 1896. Foi descreditado por cegueira e perdeu a aprovação oficial, mas não foi castrado, e os bauern continuaram a usá-lo. As filhas e filhos se mostraram acima da média, e em 1914 uma delegação de criadores foi a Karlsruhe defender o caso diante do Großherzogliches Innenministerium. Marquis B7 foi recoberado. No pedigree do garanhão premiado Moritz, nascido em 1983, ele aparece oito vezes.¹¹

O colapso entre 1947 e 1977

Em 1937, o Badisches Pferdestammbuch, criado em 1935 e incorporado ao Reichsnährstand em 1936, registrava 454 éguas Schwarzwälder no Vorbuch, 67 no Stammbuch e 16 no Hauptstammbuch. Em 1947, com tratores ainda raros, a recuperação foi rápida: 1.234 éguas registradas, apesar das requisições de reparação. Os anos 1950 mudaram tudo. O Marshall Plan financiou tratores americanos baratos, e a mecanização tomou conta da pequena agricultura europeia em uma década. Já em 1950 o número de éguas registradas caiu para menos de 1.000.⁶ ¹²

Em 1973 a contagem chegou ao ponto mais baixo: 4 garanhões reprodutores, 187 éguas registradas, 103 coberturas no ano. Em 1977, o número de éguas inscritas caiu mais ainda, para 159 Zuchtstuten. Sete das nove linhagens originais de garanhões já haviam desaparecido. Restavam apenas a M-Linie do Mittler e a D-Linie do Deutschritter, ambas nascidas em meados dos anos 1920.¹ ⁶ ¹¹

A reversão veio de uma decisão política. Em 1972, Baden-Württemberg criou as Zuchthaltungsprämien, subsídios pagos diretamente aos criadores que mantivessem éguas reprodutoras e criassem potros. Em paralelo, o Haupt- und Landgestüt Marbach assumiu a manutenção dos garanhões reprodutores, garantindo material genético acessível por inseminação a todos os criadores.³ ⁹

As linhagens que sobraram, e as que vieram de fora

A reconstrução depois de 1973 obrigou a introduzir sangue novo sem perder o tipo. O programa atual reconhece oito linhagens ativas no Hengstbuch, identificadas pela inicial do garanhão fundador.¹¹

A D-Linie e a M-Linie são as que sobreviveram ao gargalo. A D vem de Deutschritter, ardennais nascido nos anos 1920. A M vem de Milan B41, Noriker nascido em 1927 que veio do Bayerisches Haupt- und Landgestüt em Schwaiganger e fundou a linhagem por meio do filho Mittler. A história do Mittler é particular: nascido em 1936, filho de garanhão rheinisch-belgisch e de mãe Pinzgauer, foi gekört em 1939 e cobriu três temporadas até ser levado pelos franceses em 1945. O bauer Richard Blattmann saiu atrás dele com apoio do Landwirtschaftsministerium, localizou-o em novembro de 1946 em Mülben, e o trouxe de volta na primavera de 1947. A M-Linie inteira passa por ele.¹¹ ¹³

Pós-1960, vieram as introduções programadas. Os Noriker Reith-Nero (1952) e Wirts-Diamant (1968) fundaram as linhagens R e W. Nos anos 1980, o Freiberger Dayan deu origem à F-Linie. Nos anos 1990, o Schleswiger Varus B, visto pelos badenses na primeira Bundeskaltblutschau de Berlim em 1989, fundou a V-Linie via Vogtsberg, com 12,5% de sangue Schleswiger; o Noriker Riff-Vulkan fundou a K-Linie. E há cerca de vinte anos, em projeto específico para preservar a cor Brauner, o Welsh Cob Unicorn Lancelot deu origem à L-Linie via Landuin.¹ ¹¹

O stud book está fechado desde então. Os garanhões aprovados estão no Marbach ou em particulares licenciados, e o sêmen fresco distribuído a cada ano vem de um único garanhão Schwarzwälder por temporada, definido pelo PZVBW.²

O programa que tenta salvar a cor com ciência

O segundo gargalo do programa de conservação é a cor. Em 1900, o plantel se distribuía em 40% Füchse, 37% Braune, 13% Rappen e 10% Schimmel. Hoje quase todos os animais registrados são Füchse ou Dunkelfüchse, e o programa de conservação tem trabalho específico para cada uma das três cores raras, em parceria com a Humboldt-Universität em Berlim.¹ ³ ¹⁴

Para a Schimmel, entre 2018 e 2020, o PZVBW usou transferência de embrião na única égua viva do plantel para gerar descendência sem comprometer a matriz. Para a Rappe, em 2024 o programa contava com o garanhão Ramos v. Revisor, gekört em 2016, filho de Atlanta v. Modus, primeira égua Rappe da raça em décadas; em outubro de 2023 seu filho Rabenstein foi gekört também na cor Rappe. Para a Brauner, o trabalho de duas décadas com Welsh Cob fechou ciclo com a Körung de Landuin, complementado pelo garanhão Brauner R+V Rasputin v. Rotenberg.¹⁴ ¹⁵

O paper genético mais relevante para a raça é o de Mömke, Schrimpf, Dierks e Distl, publicado em 2013, que testou a frequência da mutação Silver no gene PMEL17. A maioria dos Schwarzwälder é geneticamente chesnut (genótipo ee no MC1R), o que mascara a expressão Silver. Em homozigose, a mutação Silver está associada à síndrome ocular MCOA descrita por Andersson et al. em 2013.¹⁶ ¹⁷ ¹⁸

Por que a raça volta ao trabalho na floresta

Em 2021, o contrato de coalizão do governo federal alemão estabeleceu objetivo escrito de aumentar o uso de Rückepferde, cavalos de arrasto, na silvicultura nacional. A justificativa é técnica: a colheita madeireira com tratores pesados compacta o solo das florestas alemãs, reduz a infiltração de água e enfraquece o ecossistema. O Schwarzwälder voltou ao trabalho que fazia antes do trator chegar.¹⁹

Em terreno íngreme, com árvores marcadas para corte seletivo, um cavalo puxa toras de até uma tonelada por trilhas estreitas que máquinas grandes não acessam. A regra prática limita a tração contínua a 20% do peso corporal: cerca de 130 kg para um Schwarzwälder de 650 kg.²⁰

O vocabulário alemão da silvicultura preservou os comandos tradicionais: avante, Brr parar, Hüst à esquerda, hott à direita. O treinamento dos cavalos de arrasto leva entre dois e três anos.²⁰

Em 2024, em Marbach, foram aprovados dois novos garanhões jovens, Maimond e David, ambos da linhagem Dachs, em cerimônia em St. Märgen. Em setembro de 2025, o trigésimo primeiro Rossfest reuniu na vila criadores, premiações e cortejo histórico, com 80 a 100 cavalos arrolados e cerca de 30.000 visitantes na edição anterior.²¹ ¹¹

Conformação

AlturaÉguas: 1,48 a 1,56 m. Garanhões: até 1,60 m.
Peso500 a 650 kg em adultos. Kaltblut leve a médio.
PelagemQuase 99% Fuchs ou Dunkelfuchs com hellem Behang. Raros: Braune, Rappen, Schimmel, em programa específico de conservação.
CabeçaCurta, trockenes, marcante, com olhos expressivos.
Pescoço e troncoPescoço forte e bem inserido, ombros oblíquos, garupa larga e bem musculosa, costado de profundidade média.
PernasFundamento seco e correto, articulações claras, cascos duros adaptados a terreno íngreme.
TemperamentoCalmo, dócil, vivaz, alta disposição para trabalho. Anspruchslos: exigência baixa de manejo.

O cavalo no Brasil de hoje

Não há registro público de criatório ativo de Schwarzwälder Kaltblut no Brasil. A raça é praticamente desconhecida fora do meio acadêmico de equinotecnia.²²

O plantel global está concentrado na Alemanha, sobretudo em Baden-Württemberg. Em 2022, foram registradas 1.000 éguas em todo o país e 350 potros nascidos. Só em Baden-Württemberg foram 668 éguas, 57 garanhões aprovados e 227 potros. Há populações pequenas em França, Áustria, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Noruega.¹¹

Para ver a raça em pessoa, o destino mais acessível é o Rossfest em St. Märgen, festa trienal realizada no segundo fim de semana de setembro. O ciclo coloca o próximo em 2028.⁵ ¹¹

Linha do tempo

1118Cônegos agostinianos fundam o mosteiro Maria-Zell em St. Märgen.
~1450Dingrodel da Abadia de St. Peter cobra 4 pfennigs por potro.
1880Körgesetz impõe cruzamentos com raças pesadas. Bauern resistem com schwarzer Sprung.
1896Fundada a Schwarzwälder Pferdezuchtgenossenschaft. Primeiro stud book.
1914Marquis B7, ardennais cego, é recoberado por pressão dos criadores.
19471.234 éguas registradas. Mittler é trazido de volta da França.
1972Baden-Württemberg cria as Zuchthaltungsprämien.
19734 garanhões, 187 éguas, 103 coberturas. Ponto mais baixo.
1977159 éguas. Sete das nove linhagens originais já desapareceram.
1978Criado o Pferdezuchtverband Baden-Württemberg unificado.
2013Mömke et al. publicam estudo da mutação Silver na raça.
2018-20Transferência de embrião preserva a única égua Schimmel viva.
20221.000 éguas registradas; 350 potros nascidos.

Curiosidades

O abeto de três galhosA marca registrada da raça é o dreiastige Tanne, abeto estilizado com três galhos, aplicado a fogo na coxa esquerda dos animais inscritos no stud book. É Brandzeichen com proteção jurídica do PZVBW. Animais sem o brand não são considerados Schwarzwälder Kaltblut puros, mesmo com pedigree na linhagem.²
O quarto ícone do SchwarzwaldOs três ícones tradicionais da região são o Bollenhut, chapéu vermelho de pompons usado pelas mulheres solteiras de Gutach; o relógio cuco, originário da floresta no século XVIII; e a Schwarzwälder Kirschtorte. O Schwarzwälder Fuchs é o quarto ícone vivo, ao lado do gado Vorderwälder e Hinterwälder, presente em material institucional do estado como Kulturgut. ¹¹
A escultura de Franz GutmannNo centro de St. Märgen, em frente ao mosteiro, está o Großes Ross, escultura em bronze maior que o tamanho real do escultor Franz Gutmann, originário de Münstertal. A obra existe em três fundições. A de St. Märgen permanece no lugar por consenso da comunidade após o fim do contrato com o artista.

Ficha técnica

OrigemHochschwarzwald, sul de Baden-Württemberg, Alemanha. Criação documentada desde o início do século XV.
Stud bookPferdezuchtverband Baden-Württemberg e.V. (PZVBW), Ursprungszuchtbuch fechado. Sede em Am Dolderbach 11, 72532 Gomadingen-Marbach. Primeiro registro em 1896.
StatusBeobachtungspopulation na Rote Liste alemã. Endangered pela FAO desde 2007.
Linhagens atuaisD, M, R, W, F, V, K, L. L preserva o Brauner.
AptidõesTrabalho na floresta (Holzrücken), tração agrícola, equitação leve, carruagem, terapia.
Longevidade25 a 30 anos.
Doenças predisponentesPSSM, mauke, hufrehe, artrose, atemwegsinfektionen.
Marca registradaDreiastige Tanne aplicada a fogo na coxa esquerda. Brandzeichen do PZVBW.
População Alemanha1.000 éguas e 92 garanhões em 2022.
Distribuição mundialPlantel concentrado na Alemanha; populações pequenas em França, Áustria, EUA, Canadá, Austrália, Noruega.
Por que a raça se chama Floresta Negra?

Schwarzwälder significa habitante da Floresta Negra (Schwarzwald), região montanhosa no sudoeste da Alemanha. Kaltblut é cavalo de tração de sangue frio, em contraste com os Warmblüter esportivos. A raça também é chamada de Schwarzwälder Fuchs (pela cor) ou St. Märgener Fuchs (pela vila de origem, no Hochschwarzwald a quase 900 metros).¹

Por que o Schwarzwälder tem crina e cauda mais claras que o corpo?

A pelagem característica é o Dunkelfuchs com hellem Behang: alazão escuro com crina, cauda e franja claras. O efeito vem da combinação genética da pelagem chesnut com fatores que clareiam o pelo longo. A mutação Silver no gene PMEL17, descrita por Brunberg et al. em 2006, está presente em alguns animais mas fica mascarada pelo chesnut, segundo Mömke et al., 2013.¹⁶ ¹⁷

Quanto mede um Cavalo da Floresta Negra?

Éguas medem 1,48 a 1,56 m na cernelha; garanhões até 1,60 m. O peso varia entre 500 e 650 kg. Animais nascidos antes de 1900 mediam em média 1,56 m, com pernas mais longas. Hoje a média é menor, em torno de 1,53 m, resultado do gargalo dos anos 1970 e da seleção pelo tipo compacto exigido pela altitude.²³

O que é o schwarzer Sprung?

Foi a estratégia de cobertura clandestina dos criadores do Schwarzwald contra o Körgesetz de 1880, que exigia cobertura apenas por garanhões aprovados, na maioria belgas pesados. Os bauern levavam suas éguas primeiro a um garanhão Schwarzwälder local, esperavam o ciclo passar, e só depois levavam ao garanhão belga oficial. Sob ameaça de multas, mantiveram o tipo Wälderpferd vivo durante oitenta anos.⁹ ¹⁰

Existe Cavalo da Floresta Negra no Brasil?

Não há registro público de criatório ativo no Brasil. A raça é praticamente desconhecida fora do meio acadêmico. O plantel global está concentrado na Alemanha, com poucos animais em França, Áustria, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Noruega.²²

Fontes

  1. Schwarzwälder Kaltblut. Wikipedia em alemão. Consolida BLE, GEH, PZVBW, Frey (1984), Weber (2001, 2009). de.wikipedia.org.
  2. PFERDEZUCHTVERBAND BADEN-WÜRTTEMBERG e.V. Site oficial; mantém o Ursprungszuchtbuch fechado. Sede: Am Dolderbach 11, Gomadingen-Marbach. pzv-bw.de.
  3. HAUPT- UND LANDGESTÜT MARBACH. Erhaltungszucht Schwarzwälder. Programa estatal de conservação. hul.landwirtschaft-bw.de.
  4. GEH. Das Schwarzwälder Kaltblutpferd. Categoria III da Rote Liste; lista os 107 garanhões introduzidos pós-1896 e o caso Marquis. g-e-h.de.
  5. St. Märgen. Wikipedia em alemão; história do município e fundação do mosteiro entre 1115 e 1118. de.wikipedia.org/wiki/St._Märgen.
  6. GEH. Das Schwarzwälder Kaltblutpferd (texto completo): Dingrodel ~1450; citação de Anton Straub; dados de 1937 (454/67/16); 1948 com 1.322 coberturas. g-e-h.de.
  7. PFERDE.DE. Schwarzwälder Fuchs: 7 Fakten zu den Wäldlerpferden. Bollenhut, cuco, Kirschtorte e o cavalo como ícones. pferde.de.
  8. REITERHÖFE-UNTERFRANKEN. Schwarzwälder Kaltblut. Detalha o Körgesetz de 1880. reiterhoefe-unterfranken.de.
  9. PROVIEH. Der Schwarzwälder Fuchs. Descreve o schwarzer Sprung; cita Zuchthaltungsprämie. provieh.de.
  10. TEXAS LONGHORN RANCH. Schwarzwälder Kaltblut Zucht. Descreve schwarzer Sprung e ponto baixo de 1973. texaslonghorn.de.
  11. PM-FORUM DIGITAL. Titelthema Rasseporträt: Schwarzwälder Kaltblut. Ed. 01/2024. Entrevistas com Manfred Weber, Dr. Carolin Eiberger, Willi Kuri; Marquis B7, Milan B41, citação de Wenzler, dados de 2022. pm-forum-digital.de.
  12. Bundesanstalt für Landwirtschaft und Ernährung (BLE). Einheimische Nutztierrassen in Deutschland und Rote Liste 2021. Confirma 1977 com 159 éguas como ponto mínimo. ble.de.
  13. DIE-PFERDERASSEN.DE. Schwarzwälder Fuchs (St. Märgener). Biografia do Mittler (1936-47): pai rheinisch-belgisch, mãe Pinzgauer; gekört 1939, recuperado por Richard Blattmann em Mülben em novembro de 1946. Detalhes do gargalo de 1973. die-pferderassen.de.
  14. PZVBW. Erhaltung der genetischen Vielfalt in der Schwarzwälder Kaltblutzucht. 2024. Transferência de embrião 2018-2020; Ramos v. Revisor (Eeaa), Rabenstein v. Ramos, R+V Rasputin v. Rotenberg, Landuin via Welsh Cob. Estudo Humboldt-Universität Berlin. pzvbw.de.
  15. HAUPT- UND LANDGESTÜT MARBACH. Rabenstein. Garanhão Rappe nascido 2021, *Ramos x Modus, gekört out/2023. hul.landwirtschaft-bw.de.
  16. BRUNBERG, E.; ANDERSSON, L.; COTHRAN, G.; SANDBERG, K.; MIKKO, S.; LINDGREN, G. A missense mutation in PMEL17 is associated with the Silver coat color in the horse. BMC Genetics 7(46), 2006. DOI: 10.1186/1471-2156-7-46. PMC1617113.
  17. MÖMKE, S.; SCHRIMPF, R.; DIERKS, C.; DISTL, O. Incidence of Mutation for Silver Coat Color in Black Forest Horses. Iranian J. Applied Animal Science 3(4):859-861, 2013. researchgate.net/276277270.
  18. ANDERSSON, L.S. et al. Equine MCOA and Silver Coat Colour Result from the Pleiotropic Effects of Mutant PMEL. PLoS ONE 8(9), 2013. DOI: 10.1371/journal.pone.0075639. PMC3781063.
  19. PFERDE.WORLD. Holzrückepferde. Coalitionsvertrag federal alemão 2021-2025 sobre Rückepferde. pferde.world.
  20. BAS-STIEFEL. Rückepferde für nachhaltiges Abholzen. Comandos de voz e regra dos 20% do peso corporal. bas-stiefel.de.
  21. MARBACH. Erfolgreicher Kaltblutherbst für Marbach. Out/2024. Körung dos garanhões Maimond e David em St. Märgen, linhagem Dachs. hul.landwirtschaft-bw.de.
  22. CAVALUS. Cavalo da Floresta Negra na Alemanha data do Século 15. Em português, panorama da raça e ausência no Brasil. cavalus.com.br.
  23. SCHWEIGHART. Rasse — das Original. Padrão racial atual: éguas 148-156 cm, garanhões até 160 cm. schwarzwaelderpferdezucht-schweighart.de.
André Ferreira

André Ferreira

André é o responsável atual pela condução editorial e estratégica do Multicavalos, um portal voltado ao universo equestre. Entusiasta do ramo, André dedica-se ao estudo e à observação do setor, buscando compreender suas práticas, rotinas, desafios e evoluções.