Cavalos e Suas Origens: Cavalo Baixadeiro — O Cavalo Brasileiro Cujo Casco Evoluiu na Água
O cavalo Baixadeiro é ecótipo do Maranhão, adaptado a campos alagados. Estudo da USP mostra arquitetura ungueal única que reduz incidência de laminite.
O cavalo Baixadeiro é ecótipo do Maranhão, adaptado a campos alagados. Estudo da USP mostra arquitetura ungueal única que reduz incidência de laminite.

Não. O Baixadeiro é classificado como ecótipo, sem stud book, sem associação brasileira de criadores reconhecida pelo MAPA, e sem registro genealógico nacional. A Embrapa o trata como ecótipo localmente adaptado, junto a outros ecótipos como Lavradeiro, Marajoara, Puruca e Pantaneiro. Ecótipo é um grupo genético formado por seleção natural num ambiente específico, sem o manejo seletivo controlado por associação que define uma raça oficial.¹ ⁴
Por causa da arquitetura do casco. Em 2016, Adriana Raquel de Almeida da Anunciação, sob orientação da Profa. Maria Angélica Miglino na FMVZ-USP, comparou cascos de Baixadeiros com Puro-Sangue Inglês usando microscopia eletrônica. O Baixadeiro tem o tecido conjuntivo entre as lamelas epidérmicas mais espesso, lamelas distais mais compactas e maior espaço intertubular do estrato médio. Essa arquitetura sugere maior adesão da cápsula da úngula à falange distal, reduzindo a incidência de rotação da falange e, consequentemente, de laminite.³
Visualmente são parecidos: ambos cavalos rústicos de origem ibérica adaptados a ambientes úmidos. Mas o Baixadeiro é classificado como pônei, com altura média de 125 cm na cernelha segundo Gazolla et al. (2016), contra 1,40 a 1,50 metros do Pantaneiro. Vivem em ecossistemas distintos (Baixada Maranhense versus Pantanal mato-grossense) e têm bases genéticas diferentes: o Baixadeiro compartilha base com Marajoara, Puruca e Lavradeiro; o Pantaneiro segue ramo próprio e tem associação reconhecida.⁸ ¹⁶
Não há censo confirmado da população pura. Gazolla, Lima e Serra estimaram 24 mil equinos no efetivo total da Baixada Maranhense (2003-2004). O Maranhão tem cerca de 164 mil equinos no total, segundo maior rebanho do Nordeste, mas a maioria é mestiça. Pesquisadores da UEMA e do IFMA documentam que cruzamentos indiscriminados, endogamia e doenças parasitárias têm reduzido a população do tipo puro.¹² ¹⁶
Na microrregião da Baixada Maranhense, no oeste do Maranhão. Os animais são criados principalmente em Pinheiro, São Bento, Bacurituba, Viana, Anajatuba, São Vicente Ferrer e Palmeirândia, em regime extensivo, soltos em pasto nativo. A UEMA, com campus em Pinheiro, mantém grupo de pesquisa específico sobre o ecótipo.¹²