Cavalos e Suas Origens: Andaluz — A Raça que Saiu de Três Mosteiros e Virou o Cavalo da Realeza Europeia

Todo cavalo andaluz descende de uma linhagem que monges esconderam dos reis por séculos. O PRE, origem do Campolina e do Mangalarga, e o paradoxo genético.

Cavalos e Suas Origens: Andaluz — A Raça que Saiu de Três Mosteiros e Virou o Cavalo da Realeza Europeia
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Em algum momento do século XV, os monges Cartuxos do mosteiro de Jerez de la Frontera receberam a responsabilidade de criar cavalos para a nobreza espanhola. Criaram os melhores que havia. Quando a coroa ordenou que cruzassem esses cavalos com garanhões napolitanos pesados, os monges se recusaram. Guerras, epidemias e ordens reais vieram depois. Os monges continuaram se recusando. O que saiu daquele mosteiro virou o cavalo da realeza europeia.
séc. XVReconhecimento como raça distinta
1912Stud book oficial fechado (ANCCE)
+260 milPREs registrados ativos no mundo
+65Países com criação registrada

Os monges que desobedeceram ordens reais por gerações

O mosteiro Cartuxo de Jerez de la Frontera, cidade no sul da Espanha na região da Andaluzia, mantinha seu próprio plantel de cavalos desde pelo menos 1476.⁴ Quando a coroa espanhola ordenou que os criadores cruzassem seus animais com garanhões napolitanos pesados, cavalos de grande porte vindos do sul da Itália para carregar cavaleiros em armadura completa, a maioria obedeceu.

Os monges de Jerez não. Durante gerações, resistiram às pressões reais e mantiveram a linhagem isolada dentro dos muros do convento.

A linhagem que saiu dali traça sua origem a um garanhão chamado Esclavo, descendente de El Soldado, adquirido pelos irmãos Andrés e Diego Zamora no início do século XVIII.⁴ Esclavo tinha protuberâncias na cauda que eram, na verdade, melanomas. Criadores passaram a usá-las como prova de descendência da linhagem. Um tumor benigno virou certificado de pureza.

Em 1803, um emissário do Rei da Prússia chegou a Jerez com uma oferta de 50.000 reais por um único garanhão do plantel. Os monges recusaram.⁴ Cinco anos depois, o Exército de Napoleão entrou na Espanha. Entre 1808 e 1814, o plantel foi dizimado.

Restou um único potro. A família Zapata preservou o animal e reconstruiu a linhagem a partir dele.⁴ Em 1835, o estado espanhol dissolveu o mosteiro e distribuiu os cavalos entre criadores privados. A Yeguada de la Cartuja, herdeira direta do plantel dos monges, opera até hoje próxima a Jerez com cerca de 300 animais em 189 hectares.⁵
O que a genética diz sobre a linhagem CartujanaA linhagem Cartujana é considerada pelos criadores como a mais pura do Andaluz e comanda preços mais altos no mercado. Um estudo publicado no Livestock Production Science por Valera et al. em 2005, com 75.389 animais, mediu a diferenciação genética entre a linhagem Cartujana e o restante da raça. O resultado foi um FST de 0,000026, valor próximo de zero, indicando que geneticamente as duas populações são muito similares. A distinção Cartujana tem valor histórico e de pedigree documentado, mas a ciência ainda não encontrou marcadores genéticos que a diferenciem do restante do PRE.

O cavalo que os reis de toda a Europa queriam ter

O Andaluz é reconhecido como raça distinta desde o século XV.¹ Seus ancestrais habitam a Península Ibérica há milênios, cruzados ao longo dos séculos com cavalos berberes do norte da África trazidos pelos mouros e, posteriormente, com sangue árabe introduzido pelos criadores ibéricos.

Durante os séculos XVI e XVII, o cavalo espanhol era o mais valorizado da Europa. Reis, imperadores e generais o disputavam como símbolo de poder e como ferramenta de guerra. A Espanha o usou como instrumento de diplomacia: presentear um garanhão espanhol a um soberano europeu era um gesto de aliança e distinção.¹

Carlos I da Espanha, que era também o imperador Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, a confederação de estados que dominava a Europa central no século XVI, montava andaluzes. Filipe II estabeleceu em 1567 as primeiras regras formais de criação para preservar a pureza da raça.

O retrato equestre mais famoso da época, pintado por Velázquez, mostra o rei montado num cavalo ibérico em levade, o movimento em que o cavalo se equilibra sobre os posteriores com os anteriores elevados.³

No século XVII, a fortuna da raça começou a mudar. A cavalaria europeia passou a preferir cavalos mais pesados para suportar armaduras mais completas. A Espanha pressionou seus criadores a cruzar com garanhões napolitanos. A maioria obedeceu. Um grupo não obedeceu.

A queda do século XIX e a recuperação difícil

Além das guerras napoleônicas, o Andaluz enfrentou outro golpe no século XIX: uma epidemia de mormo, doença bacteriana grave que afeta equinos, decimou o plantel em 1832.³ A pressão para cruzar com raças estrangeiras continuou ao longo do século, reduzindo ainda mais a população de animais de linhagem pura.

séc. XVRaça reconhecida como distinta. Filipe II estabelece primeiras regras de criação em 1567.
1476Monges Cartuxos de Jerez iniciam linhagem que resistirá a ordens reais por séculos.
1808Guerras napoleônicas dizimam o plantel Cartujano. Um único potro sobrevive.
1832Epidemia de mormo reduz drasticamente a população. Cruzamentos externos pressionam a pureza.
1912Criação do stud book oficial. Registro fechado: apenas filhos de PRE registrado podem entrar.
1960sExportações liberadas. A raça começa a se expandir para Europa, América e Oceania.
1996Primeiro PRE compete nas Olimpíadas, em Atlanta.

A recuperação foi lenta. Em 1912, a Espanha formalizou o stud book, o livro genealógico oficial que registra a linhagem de cada animal, e fechou o registro da raça. A partir daí, apenas animais com pai e mãe já registrados poderiam ser inscritos como PRE.² As exportações foram proibidas ou fortemente restringidas até a década de 1960, o que limitou a expansão da raça pelo mundo durante décadas.¹

Em 2010, o censo mundial registrava mais de 185.000 Andaluzes registrados.¹ Hoje, a ANCCE contabiliza mais de 260.000 PREs ativos em mais de 65 países.²

Na Espanha, o nome é PRE

No Brasil e nos EUA, o cavalo é chamado de Andaluz. Na Espanha, esse nome não é usado. O nome oficial é PRE, sigla de Pura Raza Española, Pura Raça Espanhola.¹

A distinção tem consequências práticas. A ANCCE, a Asociación Nacional de Criadores de Caballos de Pura Raza Española, é a entidade oficial que administra o stud book da raça. Um filho de garanhão PRE com égua não registrada na ANCCE não pode ser chamado oficialmente de PRE, por mais que se pareça com um. Pedigree documentado é o único critério.²

A confusão entre os dois nomes tem origem histórica. Os EUA fundaram seus primeiros registros da raça na década de 1960, com o nome "Andalusian", antes de a Espanha formalizar a distinção com a criação do stud book oficial em 1912 e sua consolidação posterior. O resultado são dois sistemas de registro que coexistem com critérios nem sempre idênticos.¹ ²

Neste artigo, usamos Andaluz para a raça em geral e PRE quando o contexto é específico ao registro espanhol da ANCCE.

Conformação e temperamento

O Andaluz é compacto, mas nunca pesado. A garupa redonda e o pescoço arqueado são as marcas visuais mais imediatas da raça. A crina e a cauda espessas completam a silhueta que aparece em pinturas de reis e generais desde o século XVI.
AlturaMédia de 1,56 m na cernelha. Mínimo de 1,52 m para machos e 1,50 m para fêmeas no registro espanhol.¹ 
PesoGaranhões e castrados: aproximadamente 512 kg. Éguas: aproximadamente 412 kg.¹
CabeçaPerfil reto ou levemente convexo, nunca côncavo como no Árabe. Narinas amplas, olhos expressivos.¹
Pescoço e corpoPescoço longo e largo, cernelha bem definida, peito amplo, dorso curto. Garupa redonda e musculosa, a característica mais distintiva da raça.¹
MembrosLimpos, sem tendência a lesões. Crina e cauda espessas e longas, sem excesso de pelos longos nas patas.¹
PelagemCerca de 80% são tordilhos, pelagem que vai do cinza escuro ao branco com o avançar da idade. Os demais são principalmente baios e pretos.¹
TemperamentoDócil e inteligente. Aprende rápido, raramente é resistente. Responde bem ao treinamento quando conduzido com respeito.¹

Melanoma em Andaluzes tordilhos: o risco genético que todo proprietário precisa conhecer

Mais de 80% dos Andaluzes são tordilhos. Esse dado não é apenas estético: carrega uma implicação de saúde que todo criador e proprietário precisa conhecer.

O gene responsável pelo embranquecimento progressivo do Andaluz, uma mutação no gene STX17, também está associado ao desenvolvimento de melanoma.⁸ Cavalos com esse gene em dose dupla, herdado de pai e mãe, embranquecem mais rápido e têm maior risco de desenvolver tumores. A prevalência de melanoma em cavalos tordilhos acima de 15 anos é de aproximadamente 80%.⁸

O Andaluz, o Árabe e o Lipizzaner são as raças mais afetadas, pela alta proporção de tordilhos em seus plantéis. Os melanomas em equinos se desenvolvem tipicamente na região da cauda, no focinho e nos genitais, e frequentemente são de crescimento lento. Em muitos casos, convive-se com o tumor por anos. Mas em progressões rápidas, podem comprometer a qualidade de vida ou a vida do animal.⁸

Um estudo publicado em 2024 identificou dois variantes distintas do gene cinza, chamadas G2 e G3. O alelo G2, mais comum no Andaluz, está associado ao embranquecimento mais lento e a um risco menor de melanoma do que o G3. Essa distinção é relevante para programas de seleção que queiram reduzir a incidência da doença sem eliminar a pelagem tordilha da raça.⁹

Dressage, cinema e o Andaluz na era moderna

O Andaluz é chamado de "o cavalo original do dressage". Sua conformação, com garupa redonda, joelhos que se elevam naturalmente e cadência marcada, o torna predisposto para os movimentos da equitação clássica, como a piaffe, trote no lugar com cadência máxima, a passage, trote suspenso de avanço lento, e os exercícios de alta escola em que o cavalo eleva o corpo do chão.³

O PRE mais famoso da era moderna é Fuego XII, nascido em 1998. Ficou conhecido internacionalmente no WEG de Kentucky em 2010, o Campeonato Mundial de Esportes Equestres, quando Juan Manuel Muñoz Díaz apresentou um freestyle, teste de dressage com música escolhida pelo cavaleiro, pontuado em 81,45%, apelidado de "King of Hearts". Fuego XII faleceu em 2023.¹⁰

Na indústria cinematográfica, o Andaluz é amplamente usado em produções históricas e épicas de fantasia. O porte, a crina espessa e os movimentos expressivos fazem dele a escolha natural quando a produção precisa de um cavalo que pareça com um cavalo de rei ou guerreiro.¹

Endogamia no PRE: o que um século de stud book fechado fez com a raça

O stud book do PRE é fechado desde 1912. Como no PSI, isso significa que só entra no registro quem tem pai e mãe já registrados. Mais de um século de população fechada tem consequências genéticas documentadas.

O coeficiente de endogamia mede o quanto dois animais escolhidos ao acaso numa população são geneticamente parecidos por descenderem dos mesmos ancestrais. Quanto maior o número, menos variação genética existe na raça e maior o risco de que doenças hereditárias se acumulem ao longo das gerações.

O estudo mais amplo sobre o PRE, Perdomo-González et al. publicado em 2020 com 328.706 animais, encontrou média de 7,51% na população atual.¹¹ Outro trabalho, de 2021, mostrou que mais de 46% dos animais já ultrapassam 6,25%.¹²

Para ter referência do que esse número significa: o Puro-Sangue Inglês, com stud book fechado desde 1791, tem média entre 12,5% e 13,9%. O PRE está longe do limite crítico, mas a tendência é de aumento.

O número de ancestrais que de fato contribuíram com variação genética para a raça é pequeno. Apenas alguns poucos fundadores são responsáveis por grande parte do genoma atual de toda a raça. Isso é o que se chama de gargalo fundador: quando uma população passa por um período com poucos reprodutores, a diversidade fica comprimida e é difícil recuperá-la depois.

A linhagem Cartujana, paradoxalmente, tem endogamia ainda maior que o restante da raça. O isolamento deliberado dos monges durante séculos, que preservou a linhagem, também aprofundou o parentesco entre os animais.
O Andaluz está na base de dois dos cavalos mais populares do Brasil
O Andaluz chegou ao Brasil junto com a colonização ibérica, no século XVI.¹³ Sua influência não ficou no passado: dois dos cavalos mais populares para trilha e lazer no país têm sangue andaluz diretamente na base de sua formação.

O Alter Real, raça portuguesa criada a partir de 1748 com éguas andaluzas importadas do haras de Zapatería, fazenda de criação especializada em cavalos,, serviu como base para o Mangalarga Marchador. O cruzamento de garanhões Alter Real com éguas locais no Brasil do século XIX deu origem à raça que hoje é a mais numerosa do país.¹

O Campolina foi criado pelo fazendeiro Cassiano Campolina em Minas Gerais, a partir de 1870, com cruzamentos que envolveram Andaluz, Mangalarga e outras raças. A base ibérica está na origem de ambas.¹⁴

O Crioulo, raça formada pelos cavalos ibéricos que chegaram à América do Sul com a colonização, também carrega essa herança. O Lusitano português é a raça irmã mais próxima do Andaluz: compartilham a mesma origem no cavalo ibérico, aparência muito similar e temperamento equivalente, mas são stud books distintos. Um cruzamento entre PRE e Lusitano não pode ser registrado como nenhum dos dois.

Curiosidades

O único potro que salvou uma linhagemDurante a Guerra de Independência espanhola contra Napoleão, entre 1808 e 1814, o plantel dos monges Cartuxos foi quase completamente destruído. Restou um único potro. A família Zapata preservou o animal e reconstruiu o plantel a partir dele. Sem essa intervenção, a linhagem Cartujana teria desaparecido. Hoje, criadores pagam prêmios por animais dessa linhagem, que geneticamente é indistinguível do restante da raça.
O mosteiro que operou por quatro séculos e hoje ainda existeA Yeguada de la Cartuja, herdeira direta do plantel dos monges de Jerez, é uma das mais antigas operações contínuas de criação equina do mundo. Funciona desde 1476, sobreviveu a Napoleão, à dissolução do mosteiro em 1835 e ao século XX. Em janeiro de 2018, o governo espanhol reconheceu oficialmente a linhagem Cartujana como sublinhagem distinta dentro do PRE (BOE-A-2018-749). Hoje tem cerca de 300 animais em 189 hectares e é aberta ao público.
Fuego XII e o freestyle "King of Hearts"No WEG de Kentucky em 2010, o garanhão PRE Fuego XII e o cavaleiro Juan Manuel Muñoz Díaz apresentaram um teste de freestyle com trilha sonora do filme O Rei Leão que pontuou 81,45%. O vídeo circula até hoje como exemplo do que o PRE pode fazer em dressage de alto nível. Fuego XII faleceu em 2023, aos 25 anos.¹⁰
Os "chifres" de EsclavoO garanhão fundador da linhagem Cartujana, Esclavo, tinha duas características físicas incomuns: protuberâncias na cauda, que eram melanomas, e pequenas protuberâncias ósseas próximas às orelhas, chamadas de "chifres". Criadores por séculos usaram os melanomas caudais como prova de descendência direta de Esclavo. Hoje sabemos que eram tumores benignos ligados ao gene cinza da pelagem tordilha.
O Andaluz chegou ao Brasil antes do Brasil existirO cavalo andaluz chegou ao território brasileiro em 1549, trazido pelos espanhóis, antes mesmo da consolidação da colonização portuguesa.¹³ Foi um dos primeiros cavalos a pisar no solo que viria a ser o Brasil, e sua linhagem está na origem de raças que hoje somam milhões de animais no país.

Ficha técnica

Nome no BrasilAndaluz
Nome oficial na EspanhaPRE, Pura Raza Española
OrigemPenínsula Ibérica, reconhecida como raça distinta no século XV
Stud book oficialANCCE (Espanha), fechado desde 1912
AlturaMédia 1,56 m; mínimo 1,52 m (machos) e 1,50 m (fêmeas) para registro
PesoMachos e castrados: ~512 kg · Éguas: ~412 kg
Pelagem predominanteTordilha (~80%). Baio (~15%). Preto e outras (~5%)
TemperamentoDócil, inteligente, sensível. Aprende rápido com condução respeitosa
Usos principaisDressage, equitação clássica, doma vaquera (equitação de trabalho do campo espanhol), rejoneo (tourada a cavalo), cinema, exposições
Raças derivadasLipizzaner, Alter Real, Mangalarga Marchador (via Alter Real), Campolina, Azteca
Raça irmãLusitano (Portugal): mesma origem ibérica, stud books distintos
Registrados no mundoMais de 260 mil PREs ativos em mais de 65 países (ANCCE)
Saúde específicaMelanoma em tordilhos: prevalência ~80% acima dos 15 anos
O Andaluz pode competir em dressage olímpico?

Sim. O PRE Evento foi o primeiro da raça a competir nas Olimpíadas, em Atlanta 1996. Fuego XII competiu em Pequim 2008 e Londres 2012. A raça tem evoluído tecnicamente e hoje compete em Grand Prix internacionais, o nível mais alto do dressage de competição, embora ainda seja minoria frente aos warmbloods europeus, raças de sela desenvolvidas especificamente para o esporte equestre, como o Hanoveriano e o KWPN holandês.¹⁰

O que é a linhagem Cartujana e por que custa mais?

É a linha dentro do PRE preservada pelos monges Cartuxos de Jerez desde 1476. Criadores a consideram a mais pura da raça e cobram prêmios por animais com esse pedigree. Mas um estudo com 75.389 animais encontrou diferenciação genética praticamente nula entre Cartujanos e não-Cartujanos. O preço reflete tradição e pedigree documentado, não distinção genética mensurável.⁶

Qual a diferença entre Andaluz e Lusitano?

São raças irmãs com origem comum no cavalo ibérico. O Andaluz foi desenvolvido na Espanha e é registrado pela ANCCE. O Lusitano foi desenvolvido em Portugal e tem stud book próprio. Aparência e temperamento são muito similares, mas são registros distintos. Um cruzamento entre PRE e Lusitano não pode ser registrado como nenhum dos dois.¹

Por que a maioria dos Andaluzes é tordilha e isso importa para a saúde?

Cerca de 80% dos Andaluzes são tordilhos por séculos de seleção estética. O gene que causa o embranquecimento progressivo também está associado ao melanoma. Cavalos com o gene em dose dupla embranquecem mais rápido e têm risco maior de desenvolver tumores. A prevalência de melanoma em tordilhos acima de 15 anos é de aproximadamente 80%.⁸

Qual o preço de um Andaluz no Brasil?

Sem registro formal, de R$ 15.000 a R$ 40.000. Com registro PRE reconhecido pela ANCCE e boa linhagem, a partir de R$ 80.000. Animais treinados em dressage ou com campanha em exposições podem ultrapassar R$ 300.000. Animais com linhagem Cartujana documentada costumam comandar preços mais altos no mercado.⁶

O Campolina tem sangue Andaluz?

Sim. O Campolina foi criado a partir de 1870 por Cassiano Campolina em Minas Gerais com cruzamentos que envolveram Andaluz, Mangalarga e outras raças. O Alter Real, formador do Mangalarga Marchador, também descende diretamente do Andaluz. Dois dos cavalos mais populares para trilha e lazer no Brasil têm sangue andaluz na base.¹⁴

O stud book do PRE aceita inseminação artificial?

Sim, ao contrário do Puro-Sangue Inglês. O PRE permite inseminação artificial com sêmen refrigerado e congelado, além de transferência de embriões. Isso permite maior distribuição genética de garanhões de elite para criadores em diferentes países, sem necessidade de cobertura natural.²

Fontes

  1. Wikipedia. Andalusian horse. Consultado em abril de 2026. Referências primárias incluídas: Edwards, E.H. The Encyclopedia of the Horse, Dorling Kindersley, 2001; Hendricks, B.L. International Encyclopedia of Horse Breeds; FAO. Secondary Guidelines for Development of Farm Animal Genetic Resources Management Plans, 1984.
  2. ANCCE — Asociación Nacional de Criadores de Caballos de Pura Raza Española. LGPRE — Libro Genealógico del PRE. Disponível em: ancce.com.
  3. YourDressage. "Meet the Andalusian: The Original Dressage Horse." fev. 2024. Disponível em: yourdressage.org.
  4. Wikipedia. Carthusian Spanish horse. Consultado em abril de 2026. Inclui história dos monges Cartuxos de Jerez, garanhão Esclavo, família Zapata e guerras napoleônicas.
  5. Yeguada de la Cartuja. Our horses. 300 animais, 189 hectares, reconhecimento oficial BOE 2018. Disponível em: yeguadacartuja.com.
  6. Valera, M. et al. "Genetic structure of the Carthusian strain of the Purebred Spanish horse." Livestock Production Science, v.96, n.1-2, pp.61-68, 2005. FST de 0,000026 entre linhagem Cartujana e restante da raça. DOI: 10.1016/j.livprodsci.2004.12.020.
  7. Andrade, J.F. et al. "A raça equina Andaluz: importância histórica, genética e perspectivas na equinocultura brasileira." e-Acadêmica, v.6, n.1, e1061628, 2025. Universidade de Vassouras. DOI: 10.52076/eacad-v6i1.628.
  8. Rosengren Pielberg, G. et al. "A cis-acting regulatory mutation causes premature hair graying and susceptibility to melanoma in the horse." Nature Genetics, v.40, n.8, pp.1004-1009, 2008. PMC3567150. Disponível em: pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3567150/.
  9. UC Davis Veterinary Genetics Laboratory. "New Study Identifies Distinct Gray Alleles." 2024. Alelos G2 e G3, associação com velocidade de embranquecimento e risco de melanoma. Disponível em: vgl.ucdavis.edu.
  10. Wikipedia. Fuego XII. Garanhão PRE nascido em 1998, falecido em 2023. WEG Kentucky 2010, freestyle "King of Hearts", 81,45%. Consultado em abril de 2026.
  11. Perdomo-González, D.I. et al. "Genetic Structure Analysis of the Pura Raza Español Horse Population through Partial Inbreeding Coefficient Estimation." Animals, v.10, n.8, 1360, ago. 2020. Amostra: 328.706 PREs. DOI: 10.3390/ani10081360.
  12. Perdomo-González, D.I. et al. "Genetic inbreeding depression load for fertility traits in Pura Raza Española mares." Journal of Animal Science, v.99, n.12, skab316, dez. 2021. Amostra: 22.799 éguas PRE. PMC8645228.
  13. Andrade, J.F. et al. Op. cit. Chegada do Andaluz ao Brasil em 1549.
  14. Wikipedia. Andalusian horse, seção "Influence". Alter Real, Mangalarga Marchador, Campolina. Consultado em abril de 2026.
André Ferreira

André Ferreira

André é o responsável atual pela condução editorial e estratégica do Multicavalos, um portal voltado ao universo equestre. Entusiasta do ramo, André dedica-se ao estudo e à observação do setor, buscando compreender suas práticas, rotinas, desafios e evoluções.