Cavalos e Suas Origens: Cavalo Crioulo — Quatro Séculos nos Pampas, um Fazendeiro na Patagônia e 21.500 km até Nova York

O Cavalo Crioulo descende dos cavalos ibéricos do século XVI. Quatro séculos nos pampas formaram a raça mais resistente da América do Sul.

Cavalos e Suas Origens: Cavalo Crioulo — Quatro Séculos nos Pampas, um Fazendeiro na Patagônia e 21.500 km até Nova York
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No início do século XX, os melhores cavalos crioulos puros que restavam na Argentina pertenciam aos índios Tehuelche, tribos nômades da Patagônia. Os estancieiros haviam cruzado o crioulo com raças europeias em busca de velocidade e porte, sem perceber que estavam apagando quatro séculos de seleção natural. Foi um veterinário chamado Emilio Solanet quem foi até a Patagônia, revisou 1.200 animais e comprou 84 do cacique Sacamata.
Séc. XVIChegada dos cavalos ibéricos
1932Fundação da ABCCC
400 mil+Animais registrados no Brasil
O Cavalo Crioulo é uma raça equina originária dos pampas sul-americanos, descendente dos cavalos das raças espanholas Andaluz e Jacas trazidos pelos colonizadores ibéricos no século XVI. Após cerca de quatro séculos vivendo em estado selvagem nas planícies da Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Peru e sul do Brasil, esses animais desenvolveram resistência e rusticidade excepcionais por seleção natural.² ⁴

No Brasil, a raça é administrada pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), fundada em 1932 em Bagé, Rio Grande do Sul. Com mais de 400 mil animais registrados e distribuídos em todo o território nacional, é a principal raça equina do Rio Grande do Sul e um dos símbolos da cultura gaúcha.⁴

Quatro séculos nos pampas

Os primeiros cavalos a pisar em solo sul-americano chegaram com os colonizadores espanhóis e portugueses no século XVI. Eram principalmente das raças Andaluz e Jacas, originárias da Península Ibérica, com características de robustez e resistência.¹ ²

Ao longo das campanhas de colonização, muitos desses animais se perderam ou foram soltos, formando manadas selvagens que passaram a viver livremente nas planícies. Os pampas, as grandes extensões de campo aberto que cobrem partes da Argentina, Uruguai, Paraguai e sul do Brasil, tornaram-se o território dessas manadas.² ³

Durante aproximadamente quatro séculos, esses cavalos enfrentaram temperaturas extremas, alternando entre o calor intenso do verão e os invernos rigorosos com geadas. Enfrentaram períodos de fartura na primavera e escassez quase absoluta no restante do ano. Os animais que não resistiam morriam. Os que resistiam reproduziam. Esse processo de seleção natural ao longo de gerações produziu o que as fontes da raça descrevem como rusticidade e resistência excepcionais.² ⁴

Os cavalos selvagens formados nesses séculos ficaram conhecidos como baguais. Eram caçados e domados tanto pelos índios cavaleiros, como os Charruas, quanto pelos estancieiros, que perceberam o valor desses animais para o trabalho no campo.²

Emilio Solanet e o resgate da raça pura

No início do século XX, os estancieiros argentinos começavam a cruzar o crioulo com raças europeias como o Puro Sangue Inglês, o Percheron, o Árabe, o Andaluz e o Bretão, em busca de velocidade e maior porte. Os cruzamentos comprometiam as características que séculos de seleção natural haviam consolidado. As reduzidas manadas de raça pura que restavam pertenciam aos índios Tehuelche, tribos nômades do sul da Argentina.¹

Emilio Solanet era estancieiro, veterinário, hipólogo e professor, dono da Estância El Cardal, com 6.600 hectares, em Ayacucho, província de Buenos Aires. Ao acompanhar uma remessa de gado que havia viajado 1.600 km desde a Patagônia, notou que os cavalos montados pelos nativos chegaram ao destino espertos e descansados. Indagou os nativos sobre o motivo.¹

Eles responderam: "Gateado morre antes de cansar-se."

Solanet foi três vezes à Patagônia. Revisou cerca de 1.200 cavalos entre as manadas dos Tehuelche e selecionou 84 animais reprodutores, que comprou do cacique Tehuelche Sacamata e trouxe para a Estância El Cardal. Esses animais são os antepassados de todos os Crioulos registrados hoje na Argentina.¹

Em 1920, Solanet conseguiu inscrever 15 exemplares na exposição de Palermo, na Sociedade Rural Argentina. A primeira exibição foi muito criticada. Em setembro de 1922, a Sociedade Rural Argentina concedeu o reconhecimento oficial da raça.¹

Gato e Mancha: 21.500 km para provar a resistência

Em 23 de abril de 1925, dois cavalos crioulos chamados Gato e Mancha partiram de Buenos Aires com o professor suíço Aimé Félix Tschiffely. O objetivo era percorrer as Américas do sul ao norte para demonstrar a resistência da raça ao mundo.⁵

Gato tinha 16 anos e Mancha, 15. Ambos haviam sido comprados por Solanet do cacique Tehuelche Liempichún, no Chubut, e cedidos a Tschiffely para a expedição. Gato media 1,47 m e tinha pelagem gateada. Mancha media 1,50 m e tinha pelagem oveira.⁵ ⁶

Em 504 etapas, a trio atravessou a Cordilheira dos Andes, chegou a 5.900 metros de altitude no Passo El Cóndor entre Potosí e Challapata, na Bolívia, enfrentou o Deserto Mata-Cavalo no Peru, cruzou as selvas da América Central e percorreu 23 países. No México, um acidente com uma mula feriu o casco de Gato, que ficou para trás enquanto Tschiffely seguiu com Mancha. Gato foi recuperado e o trio se reuniu mais adiante.⁵ ⁶

Em 22 de setembro de 1928, chegaram a Nova York. O desfile pela Quinta Avenida parou o trânsito. Foram 21.500 km em 3 anos e 5 meses.⁵

Gato morreu em 1944, com 35 anos. Mancha em 1947, com 37 anos. Ambos foram embalsamados e estão expostos no Museu Enrique Udaondo em Luján, Buenos Aires. Tschiffely faleceu em 1954. Seu último desejo foi ser enterrado na Argentina, na Estância El Cardal em Ayacucho, ao lado dos dois cavalos.⁵ ⁶

A ABCCC e o Crioulo brasileiro

Em Bagé, Rio Grande do Sul, no ano de 1932, foi fundada a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), com a missão de preservar e difundir a raça no Brasil. O Rio Grande do Sul havia sido durante muito tempo importador de cavalos crioulos argentinos, até a chegada dos importados chilenos, antes de desenvolver uma linhagem própria.¹ ⁴

A ABCCC desenvolve três ferramentas principais de seleção da raça: o Freio de Ouro, a Morfologia e a Marcha de Resistência. O universo do Cavalo Crioulo movimenta, segundo dados da própria associação, mais de R$ 1,28 bilhão por ano no Brasil.⁴

O Freio de Ouro

A principal prova de seleção funcional do Crioulo brasileiro teve origem na cidade de Jaguarão, no Rio Grande do Sul, na década de 1970. Até então, as exposições da raça avaliavam apenas morfologia. Em 1977, um grupo de criadores organizou a primeira Exposição Funcional de Jaguarão, preocupados com a necessidade de selecionar também pelo desempenho.⁷

Em 1982, ano do cinquentenário da ABCCC, o então presidente da entidade, Gilberto Azambuja Centeno, oficializou a prova campeira que seria realizada na Expointer, a maior feira agropecuária da América Latina, realizada em Esteio, Rio Grande do Sul. A prova passou a se chamar Freio de Ouro, em homenagem aos fundadores da ABCCC.⁷

O Freio de Ouro é dividido em sete provas que reproduzem o trabalho do campo: andadura, figura, voltas sobre a pata e esbarrada, mangueira, campo e bayard-sarmento. Cada prova tem pontuação específica. O cavalo que obtiver melhor pontuação na soma de todas as etapas é o grande campeão, em categorias separadas para machos e fêmeas.⁷

O ciclo completo inclui etapas Credenciadoras regionais, Finais Classificatórias e a grande Final na Expointer em agosto. Cerca de 800 animais participam das etapas ao longo do ano. A transmissão televisiva da prova ampliou a visibilidade da raça, atraindo novos criadores e entusiastas.⁴ ⁷

Como é o Cavalo Crioulo

O Crioulo é considerado de porte baixo a médio, mas com musculatura bem desenvolvida e ossatura compacta. O padrão racial oficial da ABCCC estabelece medidas distintas para machos, fêmeas e castrados.⁴
Altura — machosMínimo 1,40 m e máximo 1,50 m na cernelha, a altura medida do chão até o ponto mais alto das costas. O perímetro torácico mínimo é de 1,68 m e o perímetro de canela mínimo de 0,18 m.
Altura — fêmeasMínimo 1,38 m e máximo 1,48 m na cernelha. Perímetro torácico mínimo de 1,70 m e canela mínima de 0,17 m.
PesoEntre 400 e 450 kg. Apesar do porte compacto, pode suportar carga de até 127 kg.
CabeçaCurta, ampla na base e fina na ponta. Maxilares fortes, crânio amplo, fronte larga. Perfil reto ou ligeiramente convexo. Orelhas pequenas e móveis, bem afastadas na base. Olhos expressivos.
PescoçoMediano de comprimento, bem unido à cabeça por garganta larga e limpa. Bordo superior ligeiramente convexo, com crinas abundantes. Amplo e forte, com inserção harmônica ao tórax.
CorpoDorso mediano e bem unido à cernelha. Lombo musculoso, unindo suavemente o dorso à garupa. Garupa de comprimento e largura medianos, musculosa e levemente inclinada. Peito amplo, largo, profundo e musculado. Tórax com boa capacidade respiratória.
MembrosPaletas de comprimento mediano, ligeiramente inclinadas e fortemente musculadas. Antebraços musculosos e bem aprumados. Canelas curtas, com tendões fortes e bem definidos. Cascos de volume proporcional ao corpo, duros, densos, sólidos e preferencialmente pretos.
Pelagens aceitasTodas, exceto pintadas (características do gene Leopardo) e animais com despigmentação extrema, chamada de "melado" ou "pseudo-albino", que apresentem pele rosada e olhos brancos ou azulados.
TemperamentoO padrão racial exige temperamento vivo, ativo, inteligente, corajoso e bondoso. Na prática, os criadores descrevem o Crioulo como dócil e de fácil adestramento, com boa capacidade de adaptação a diferentes situações.
Impedimentos de registroConstituem características impeditivas de inscrição no Registro Provisório e Definitivo: notável atipicidade racial, prognatismo, criptorquidismo ou monorquidismo. O prognatismo é o desalinhamento entre as arcadas dentárias superior e inferior. O criptorquidismo é a ausência de um ou dos dois testículos na bolsa escrotal.

Aptidões e usos

O Crioulo foi moldado para o trabalho no campo e é nesse ambiente que suas qualidades se destacam mais. É um dos cavalos preferidos para a lida com gado em estâncias e fazendas do sul do Brasil, pela combinação de inteligência, agilidade e resistência.³ ⁴

No esporte, participa do Freio de Ouro, da Paleteada, do Enduro equestre, da Marcha de Resistência e do Ranch Sorting. A paleteada é uma prova em que o cavalo e o ginete separam um animal do rebanho e o conduzem até um espaço determinado, testando velocidade de arrancada, controle e sintonia entre cavalo e cavaleiro.⁴

Na Marcha de Resistência, prova criada em 1971 pela ABCCC, os animais percorrem trechos de 50 km diários durante 15 dias, totalizando 750 km, com alimentação exclusivamente a pasto. É uma das provas de resistência mais exigentes para cavalos no mundo.⁵

Para lazer e cavalgadas, o temperamento dócil e a resistência tornam o Crioulo uma escolha frequente, inclusive para cavaleiros iniciantes. A raça também é usada em turismo rural e em atividades de equoterapia, o uso do cavalo como ferramenta terapêutica para pessoas com deficiências físicas ou cognitivas.³

Curiosidades

Gato e Mancha: os cavalos mais velhos a completar uma grande travessiaQuando partiram de Buenos Aires em 1925, Gato tinha 16 anos e Mancha tinha 15. Os dois haviam crescido na Patagônia e nunca haviam sido domados antes de Tschiffely. Percorreram 21.500 km por 23 países, incluindo a Cordilheira dos Andes a 5.900 metros de altitude. Gato viveu até os 35 anos e Mancha até os 37.
Solanet levou quase negativa de TschiffelyQuando o professor suíço Aimé Tschiffely foi até a Estância El Cardal pedir cavalos a Emilio Solanet para a travessia, Solanet recusou. Considerava o projeto uma loucura e não acreditava que um professor suíço chegaria sequer a Rosário, cidade a menos de 300 km de Buenos Aires. Tschiffely insistiu. Solanet cedeu. O resto é história registrada no Museu Udaondo em Luján, onde os dois cavalos estão embalsamados.
O cacique que vendeu os fundadores da raça argentinaEmilio Solanet comprou os 84 animais que fundaram a linhagem pura moderna do Crioulo argentino do cacique Tehuelche Sacamata. Os cavalos de Gato e Mancha vieram de outro cacique, Liempichún, também Tehuelche. Os Tehuelche eram nômades da Patagônia que, enquanto os estancieiros argentinos cruzavam o crioulo com raças europeias, mantinham manadas de raça pura. Foi nessas manadas que Solanet encontrou o que procurava.
O Freio de Ouro nasceu de uma exposição modesta em JaguarãoA maior competição de cavalos crioulos do Brasil começou em 1977 como uma Exposição Funcional em Jaguarão, cidade gaúcha na fronteira com o Uruguai, com instalações modestas e número limitado de participantes. Em 1980, a terceira edição atraiu a atenção do então presidente da República, general João Batista Figueiredo, que era aficionado por cavalos. Em 1982, a ABCCC oficializou a prova e a batizou de Freio de Ouro. O primeiro campeão foi Itaí Tupambaé, do criador Oswaldo Pons.
Potássio no limite, cavalo de péNa última grande prova de resistência da raça na Argentina, com 750 km percorridos em 15 dias com alimentação exclusivamente a pasto, pesquisadores mediram os níveis de potássio nos organismos dos animais durante a prova. Os cavalos crioulos sobreviveram com níveis de potássio que, segundo as fontes, outros animais não teriam resistido. Chegaram ao final da prova com boa condição física.
A primeira exposição foi muito criticadaQuando Emilio Solanet inscreveu 15 exemplares crioulos na exposição de Palermo em 1920, a primeira exibição pública da raça foi muito criticada. Os estancieiros argentinos da época valorizavam os cavalos cruzados com raças europeias e viam no crioulo puro um animal rústico demais. Solanet foi impondo suas ideias ao longo dos anos seguintes, até que em setembro de 1922 a Sociedade Rural Argentina concedeu o reconhecimento oficial da raça.

Ficha técnica

NomeCavalo Crioulo / Crioulo
Também chamadoBagual (em estado selvagem); Criollo (Argentina, Uruguai, Chile)
OrigemPampas sul-americanos — Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Peru e sul do Brasil
Raças fundadorasAndaluz e Jacas espanhóis, trazidos pelos colonizadores ibéricos no século XVI
Seleção naturalAproximadamente quatro séculos em estado selvagem nos pampas
Reconhecimento (Argentina)Setembro de 1922, pela Sociedade Rural Argentina. Trabalho iniciado por Emilio Solanet.
ABCCCAssociação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos — fundada em 1932 em Bagé, RS
Animais registradosMais de 400 mil no Brasil
Altura — machos1,40 m a 1,50 m na cernelha
Altura — fêmeas1,38 m a 1,48 m na cernelha
Peso400 a 450 kg
Pelagens aceitasTodas, exceto pintadas e com despigmentação extrema (pseudo-albino)
Principal provaFreio de Ouro — criado em 1982, final anual na Expointer em Esteio, RS
AptidãoLida com gado, resistência, paleteada, enduro, lazer, cavalgadas, equoterapia
LongevidadeExpectativa de vida em torno de 23 anos; alguns exemplares chegam a 30 anos ou mais

O Cavalo Crioulo é adequado para iniciantes?

Sim, em geral. O temperamento dócil, inteligente e tranquilo torna o Crioulo uma das opções mais indicadas para cavaleiros iniciantes entre as raças brasileiras. É descrito nas fontes da raça como fácil de treinar e de adestrar, com boa capacidade de adaptação a diferentes situações e cavaleiros.

Qual a diferença entre o Crioulo argentino e o brasileiro?

Partem da mesma origem ibérica, mas foram selecionados separadamente. O Brasil tem sua própria associação, a ABCCC, fundada em 1932 em Bagé, com padrão racial e provas funcionais próprias. Segundo a ABCCC, a seleção brasileira pelo Freio de Ouro desenvolveu uma linhagem que combina a morfologia argentina com a funcionalidade chilena, reconhecida nos países vizinhos.⁷

O que é o Freio de Ouro?

É a principal prova de seleção funcional do Cavalo Crioulo no Brasil, criada pela ABCCC em 1982 durante a Expointer em Esteio, RS. Avalia morfologia e função em sete provas que reproduzem o trabalho do campo: andadura, figura, voltas sobre a pata e esbarrada, mangueira, campo e bayard-sarmento. A final acontece anualmente na Expointer em agosto, com campeões separados para machos e fêmeas.⁷

O Cavalo Crioulo pode ser criado fora do Rio Grande do Sul?

Sim. A raça está distribuída em 100% do território nacional, com mais de 400 mil animais registrados em todo o Brasil. A ABCCC possui núcleos no RS, PR, SC, SP e RJ. A adaptabilidade a diferentes climas é uma das características mais documentadas da raça.⁴

Qual o peso máximo que o Cavalo Crioulo suporta?

Segundo as fontes da raça, o Crioulo pode suportar um peso de até 127 kg. Apesar do porte baixo a médio, a estrutura musculosa e a ossatura compacta permitem essa capacidade de carga.³

Qual o andamento natural do Cavalo Crioulo?

O andamento natural do Crioulo é a marcha trotada, uma mescla do trote e do passo, em caminhar baixo e cadenciado, adaptado aos terrenos planos do sul. A raça também apresenta galope curto e continuado, que lhe permite percorrer longas distâncias ao longo do dia.³

Fontes

André Ferreira

André Ferreira

André é o responsável atual pela condução editorial e estratégica do Multicavalos, um portal voltado ao universo equestre. Entusiasta do ramo, André dedica-se ao estudo e à observação do setor, buscando compreender suas práticas, rotinas, desafios e evoluções.