Cavalos e Suas Origens: Sorraia — Dezessete Mil Anos e Doze Fundadores
O Sorraia é um dos cavalos ibéricos mais antigos. Descoberto por Ruy d'Andrade em 1920 e quase extinto, sobrevive hoje com menos de 300 animais.
O Sorraia é um dos cavalos ibéricos mais antigos. Descoberto por Ruy d'Andrade em 1920 e quase extinto, sobrevive hoje com menos de 300 animais.

A consistência dessas marcações é uma das razões pelas quais alguns pesquisadores defendem que o Sorraia é uma população ancestral preservada, e não simplesmente uma raça doméstica que retornou ao estado selvagem. As marcações são as mesmas que aparecem em pinturas paleolíticas de cavalos em cavernas da Península Ibérica.¹⁴
Sim. Quando domesticado desde potro e treinado por handler experiente, o Sorraia é montaria capaz para equitação de trabalho, dressage, atrelagem e cross-country. A condutora portuguesa Madalena Abecassis competiu em provas de atrelagem four-in-hand com uma equipe inteiramente formada por Sorraias. O temperamento exige paciência: cavalos vindos de núcleos semi-feral mantêm o instinto de cautela dos ancestrais selvagens e demoram a aceitar contato humano. Uma vez estabelecida a confiança, formam vínculo forte, geralmente com um único cavaleiro, e respondem com sensibilidade à comunicação clara.³ ⁴
O Sorraia é considerado um dos ancestrais do Lusitano e estudos genéticos confirmaram em 2006 que uma linhagem materna do Sorraia, da égua Pomba, sobreviveu dentro do stud book do Lusitano. Mas geneticamente as duas raças são muito distintas: o Sorraia tem variabilidade extremamente baixa e marcações primitivas que o Lusitano perdeu. O Sorraia é menor, com altura entre 1,40 e 1,50 m, contra 1,55 a 1,65 m do Lusitano.⁹
Não há registros de Sorraias no Brasil. A raça está concentrada em Portugal, com núcleos importantes na Alemanha e populações pequenas nos Estados Unidos e Canadá. A exportação é altamente restrita pela APCS por causa do número reduzido de animais e do esforço de conservação genética. Quem quiser conhecer a raça precisa ir a Portugal. A Reserva Natural Cavalo do Sorraia em Alpiarça é o ponto de visitação mais acessível.¹ ¹⁶
Não existe mercado consolidado para o Sorraia. A venda comercial é praticamente inexistente porque a raça está sob esforço internacional de conservação. Quando aparecem animais em portais europeus como o ehorses.com, o preço médio fica em torno de € 2.000, mas as listagens ativas são raríssimas. O acesso à raça acontece principalmente entre criadores conservacionistas, geralmente em Portugal e na Alemanha, e os animais saem com restrições contratuais ligadas ao programa de preservação. Quem busca um Sorraia raramente o faz como compra direta — é entrada em programa de criação.⁵ ¹⁶
Em tese, sim. A Alemanha tem o segundo maior plantel do mundo desde 1976, quando três garanhões e três éguas foram importados de Portugal para iniciar a sub-população alemã. Há também criadores nos Estados Unidos (dois garanhões importados no início dos anos 2000) e no Canadá, onde existe a Sorraia Mustang Preserve em Manitoulin Island, Ontário, fundada em 2006. Mas a oferta é mínima e a maior parte dos animais está fora do circuito comercial. Quem está realmente interessado precisa entrar em contato direto com a APCS em Portugal ou com os criadores associados na Alemanha e na América do Norte.¹ ¹⁶
Não. O Tarpan era uma população selvagem do leste europeu, extinta em 1909. O Sorraia é uma população ibérica distinta. Estudos de DNA mitocondrial encontraram um haplótipo do Sorraia que difere por apenas um nucleotídeo do haplótipo único do cavalo de Przewalski, mas estudos com microsatélites mostraram resultado oposto. A relação entre Sorraia, Tarpan e cavalos selvagens ancestrais permanece em debate.⁸
Na Reserva Natural Cavalo do Sorraia, em Alpiarça, sede da APCS. Há também a Herdade de Font'Alva, antiga sede da AICS, e algumas coudelarias particulares mantidas pelos criadores associados. Em projetos de rewilding como o do Greater Côa Valley, o Sorraia é introduzido em ambientes naturais para restaurar populações de herbívoros nativos.¹ ¹⁷