Cavalos e Suas Origens: Marwari — Do Divino ao Esquecido, e de Volta
O Marwari nasceu no deserto do Thar há 900 anos, quase desapareceu duas vezes e tem um gene nas orelhas que nenhuma outra raça testada possui.
O Marwari nasceu no deserto do Thar há 900 anos, quase desapareceu duas vezes e tem um gene nas orelhas que nenhuma outra raça testada possui.

Chetak tem uma estátua no Moti Magri Park em Udaipur e um memorial, o Chetak Samadhi, no local onde supostamente caiu em Haldighati. O scooter Chetak, lançado pela Bajaj Auto nos anos 1970 e ainda produzido na versão elétrica hoje, foi nomeado em homenagem ao cavalo. Poucas raças equinas do mundo emprestaram o nome de um de seus exemplares a um produto de consumo em escala nacional.⁵
Em 2014, o genoma completo do Marwari foi mapeado pela primeira vez. Pesquisadores identificaram uma variante no gene TSHZ1, o p.Ala344>Val, associada ao formato das orelhas dobradas para dentro. Essa variante não foi encontrada nas demais raças testadas no estudo. O formato não é adaptação ambiental: é resultado de séculos de seleção deliberada pelos Rathores.⁴
São raças irmãs com orelhas curvas, criadas em regiões diferentes. O Marwari vem de Marwar, atual Rajasthan. O Kathiawari, da península de Kathiawar, Gujarat. O Marwari tende a ser maior, com perfil mais reto. O Kathiawari é mais compacto, com perfil côncavo e orelhas que giram individualmente até 180 graus. Geneticamente partilham herança árabe e de poneis nativos indianos. Historicamente, os stud books eram pouco diferenciados.¹
Provavelmente sim, mas não está documentado por fontes históricas contemporâneas à batalha. As fontes primárias da Batalha de Haldighati em 1576 não nomeiam o cavalo nem registram sua raça. O nome Chetak aparece pela primeira vez no poema Khummana-Raso do século XVIII. Algumas tradições orais o descrevem como Kathiawari, não Marwari. As duas raças habitavam a mesma região e eram usadas indistintamente pela nobreza Rajput do século XVI.⁵
É um andamento amblante natural de quatro tempos lateral, presente em parte da população Marwari. Mais suave que o trote em percursos longos, elimina o impacto saltado característico do trote diagonal. Não é universal na raça: nem todos os Marwaris apresentam o Revaal, e quem o tem é mais valorizado para cavalgadas longas no deserto e para equitação cultural.¹
Praticamente não. A exportação é proibida desde 1952, com exceções limitadíssimas. Entre 2000 e 2006, apenas 21 cavalos saíram da Índia com licença especial. Desde 2008, só exportações temporárias de até um ano para exibição são permitidas. Não há registros de Marwaris no Brasil. Quem quiser conhecer a raça precisa ir a Rajasthan.¹ ⁶
Estimativas apontam entre 5.000 e 10.000 animais puros, quase todos na Índia, concentrados em Rajasthan. Fora da Índia existem apenas algumas dezenas, resultado das exportações de 2000 a 2006 e das exportações temporárias posteriores.¹ ³
Para adestramento clássico e performances culturais, é excelente: ação elevada natural, memória e propensão ao aprendizado de movimentos elaborados. Para adestramento olímpico competitivo, que exige as passadas longas dos warmbloods europeus como o Hanoveriano, não é a escolha típica. É usado com sucesso em polo, enduro, trekking no deserto e exibições culturais.¹ ³