Cavalos Famosos: Phar Lap — A Morte Misteriosa do Maior Cavalo da Grande Depressão
Phar Lap venceu a Melbourne Cup de 1930 e morreu no auge em 1932, na Califórnia. O corpo foi repartido entre três museus e a causa da morte segue disputada.
Phar Lap venceu a Melbourne Cup de 1930 e morreu no auge em 1932, na Califórnia. O corpo foi repartido entre três museus e a causa da morte segue disputada.

A causa segue em disputa. Um exame forense divulgado em 2008 pelo Melbourne Museum, feito com síncrotron, concluiu que o cavalo ingeriu uma dose maciça de arsênico nas 30 a 40 horas finais de vida. Uma reanálise das duas necropsias, publicada em 2000, aponta para uma infecção bacteriana aguda do intestino. As duas hipóteses vêm de fontes credíveis e nunca foram conciliadas. A autópsia original, feita nos Estados Unidos em 1932, registrou apenas inflamação grave do estômago e dos intestinos e traços de arsênico, sem conclusão definitiva.² ⁹
Dividido entre três museus de dois países. A pelica taxidermizada fica no Melbourne Museum, na Austrália. O esqueleto articulado está no Museum of New Zealand Te Papa Tongarewa, em Wellington, Nova Zelândia. O coração é guardado pelo National Museum of Australia, em Camberra. Os três foram exibidos juntos uma única vez, em 2010, no aniversário de 80 anos da vitória de Phar Lap na Melbourne Cup de 1930.⁸
Por três motivos combinados. Venceu 37 de 51 corridas em uma carreira curta, incluindo a Melbourne Cup de 1930 como favorito de menor cotação da história da prova. Fez isso no auge da Grande Depressão, quando cada vitória virava evento nacional acompanhado pelo rádio. E morreu de forma súbita e misteriosa no auge, aos cinco anos, poucos dias após vencer a corrida mais rica das Américas. A combinação de domínio esportivo, contexto histórico e morte trágica o transformou em ícone na Austrália e na Nova Zelândia.¹
Nasceu na Nova Zelândia e correu na Austrália. Foi criado no Seadown Stud, perto de Timaru, na Ilha Sul neozelandesa, em 1926, e depois treinado e disputado na Austrália pelo treinador Harry Telford. Os dois países o reivindicam como ícone nacional, e a divisão dos seus restos entre museus australianos e neozelandeses reflete essa disputa afetiva. Foi um dos cinco nomes fundadores dos halls da fama do turfe da Austrália e da Nova Zelândia.¹⁰
Pelo tamanho. Pesava 6,2 kg, quase o dobro do coração de um cavalo comum, que fica em torno de 3,2 kg. Guardado hoje pelo National Museum of Australia, é o objeto que os visitantes mais pedem para ver. O tamanho deu origem à expressão australiana um coração do tamanho do de Phar Lap, usada para descrever alguém corajoso ou generoso. Existe uma controvérsia antiga sobre a autenticidade da peça em exposição, levantada em 1979, que nunca foi resolvida em definitivo.⁸ ¹⁰
Ganhou uma vez, em 1930, como o favorito de menor cotação na história da prova. Antes disso, tinha ficado em terceiro na edição de 1929, quando ainda corria com um jóquei substituto e pouca experiência. Em 1931, terminou em oitavo carregando 68 kg, o maior peso já imposto a ele pelo sistema de peso por idade. A Melbourne Cup é a corrida mais tradicional da Austrália e para o país no dia em que é disputada.¹ ¹⁰