Em 2016, o MAPA divulgou um documento baseado em dados de 2013 com uma estimativa incômoda: cerca de 500 mil animais vivos entre puros e mestiços, e uma associação responsável pela raça que estava desativada havia oito anos.⁵ Um ano depois, a Portaria nº 1.537/2017 revogou formalmente a autorização da ABCCN para realizar registros genealógicos, autorização que existia desde 1974.⁵
O problema não é a ausência de animais. É a ausência de organização. Sem registro genealógico confiável, a raça se dilui. Os cruzamentos com Quarto de Milha e Mangalarga Marchador, documentados nos estudos de 2009 e 2013, vão alterando cascos, porte e morfologia. Cada geração cruzada é uma geração mais distante do animal original.⁴
Atualmente, três entidades trabalham com a raça, cada uma por conta própria:
ABCCNFundada em Recife em 1975. Parceira do projeto de conservação do INSA na Paraíba. Sinais de reativação após período de inatividade.
NPSCNAssumiu os registros por iniciativa própria durante o período de inatividade da ABCCN.
AEPCNAtua em paralelo na orientação de proprietários para manutenção das características originais da raça.
Desde 2021, o Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCTI) conduz em parceria com a ABCCN e o Núcleo do Cavalo Nordestino na Paraíba (NCCN-PB) o projeto "Conservação para a seleção e valorização do Cavalo Nordestino na Paraíba", com foco no Cariri e no Médio Sertão paraibano, identificando animais com potencial de registro, levantando reprodutores e conectando criadores e pesquisadores.¹
O Cavalo Nordestino sobreviveu ao semiárido por quatro séculos. O que está em jogo agora não é resistência. É memória.