Cavalos Famosos: Seabiscuit — De cavalo de US$ 2.500 a recordista histórico

Conheça a história real de Seabiscuit. Descubra como os registros oficiais de corrida desmentem o mito do azarão criado pelo cinema de Hollywood.

Cavalos Famosos: Seabiscuit — De cavalo de US$ 2.500 a recordista histórico
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Hialeah, Flórida, janeiro de 1935. Na segunda largada da vida, um potro de dois anos entra numa corrida de reclamação de 2.500 dólares, o que significa que qualquer pessoa presente podia comprá-lo por esse valor antes de a fita subir. Ele termina em segundo. Ninguém o compra. Cinco anos e 87 corridas depois, esse animal se aposenta como o maior ganhador em prêmios da história do turfe americano.
89Largadas em cinco temporadas
US$ 2.500O preço dele em janeiro de 1935
US$ 437.730Recorde de ganhos ao se aposentar
Seabiscuit nasceu em 23 de maio de 1933 na Claiborne Farm, no Kentucky, criado pelo Wheatley Stable de Gladys Mills Phipps. Era filho de Hard Tack e neto de Man o' War, e correu 89 vezes entre 1935 e 1940, com 33 vitórias, 15 segundos e 13 terceiros.¹ Entrou no Hall da Fama americano em 1958.

O National Museum of Racing publica o registro completo dessas 89 corridas em charts da Daily Racing Form, com peso, jóquei, cotação, posição em cada passagem e o comentário que o cronometrista escrevia no dia.¹ É um documento diferente do que sustenta a versão popular da história, e conta uma coisa diferente.

Hialeah, janeiro de 1935: três furlongs e uma etiqueta de 2.500 dólares

A estreia foi numa prova de três furlongs, cerca de 600 metros, com prêmio de mil dólares. Ele terminou em quarto entre dez, montado por J. Stout. Três dias depois voltou à pista, agora numa reclamação de 2.500 dólares, e ficou em segundo. Ninguém o reclamou.¹
O que é uma corrida de reclamaçãoNa reclamação, todos os inscritos ficam à venda por um valor fixo definido na condição da prova. Qualquer proprietário habilitado deposita a oferta antes da largada e leva o animal depois da chegada, tenha ele vencido ou não. É o mecanismo que o turfe usa para nivelar campos por qualidade, e funciona como termômetro público em duas direções. O preço em que um cavalo corre é o preço em que o dono aceita perdê-lo, e a maioria das reclamações termina sem comprador. Uma etiqueta baixa e repetida diz mais sobre a avaliação da própria cavalariça do que sobre a do mercado.

Aquela não foi exceção. Na primeira temporada ele largou pelo menos quatro vezes em reclamações entre 2.500 e 5.000 dólares, sempre disponível, sempre sem comprador.¹ Os próprios charts registram três treinadores diferentes nesse período, com as trocas anotadas em sequência: V. Mara, depois G. Tappen, depois James Fitzsimmons.¹

A primeira vitória saiu na décima oitava tentativa, em 26 de junho de 1935, em Narragansett, numa reclamação de cinco mil dólares. O comentário do chart sobre a corrida tem uma palavra, Easily, fácil.¹

1935: trinta e cinco largadas antes de completar três anos

A temporada de dois anos dele teve 35 corridas, com cinco vitórias, sete segundos, cinco terceiros e 12.510 dólares em prêmios.¹ Era um calendário pesado até para os padrões da época, e num animal em pleno crescimento.

A comparação com o presente mede a distância. O turfe moderno retira o cavalo de corrida depois de vinte a vinte e cinco largadas na carreira inteira, e Seabiscuit passou desse total antes de completar três anos. A húngara Kincsem, que meio século antes venceu as 54 corridas que disputou, tinha corrido dez vezes na mesma idade.

Saratoga, agosto de 1936: oito mil dólares por um cavalo que vinha ganhando

Charles S. Howard, importador de automóveis em São Francisco, comprou Seabiscuit por 8.000 dólares em agosto de 1936, em Saratoga, e o entregou ao treinador Tom Smith.² ³ O preço costuma aparecer como prova de que ninguém dava nada pelo animal.

Os charts contam outra coisa sobre aquele momento. As duas corridas que ele fez em Saratoga imediatamente antes da venda foram vitórias, e o cronometrista anotou as duas com a mesma palavra que usara na primeira vitória da carreira, Easily.¹ Howard não comprou um cavalo quebrado, comprou um cavalo em ascensão por um preço de cavalo quebrado.

Smith juntou ao animal o jóquei canadense Johnny Pollard, conhecido como Red, que estava sem trabalho. Em 7 de setembro de 1936, na quinquagésima corrida da carreira, Seabiscuit venceu o Governor's Handicap em Detroit e levou 5.600 dólares, mais da metade do que Howard tinha pagado por ele um mês antes.² ¹
Pollard enxergava de um olho sóO jóquei tinha perdido a visão de um olho num acidente de treino anos antes e escondeu a condição, que o teria desqualificado para a licença. Ele montou assim durante toda a parceria, incluindo a derrota por um focinho no Santa Anita Handicap de 1937, quando não viu o adversário chegar pelo lado cego. As fontes divergem sobre qual dos dois olhos era o comprometido, e a maioria indica o direito.²

1937 e 1938: dois focinhos no Santa Anita Handicap, com dez libras a favor e trinta contra

Em 27 de fevereiro de 1937, no Santa Anita Handicap, Seabiscuit carregou 114 libras, cerca de 52 quilos, contra as 124 libras de Rosemont. Ele estava recebendo dez libras de vantagem e perdeu por um focinho, entre dezoito concorrentes.¹

Um ano depois, na mesma prova, a situação tinha se invertido por completo. Ele carregou 130 libras, quase 59 quilos, contra as 100 libras de Stagehand, dando trinta libras ao rival. Perdeu por um focinho de novo, também entre dezoito, com o chart anotando que sofreu interferência e que a tentativa foi corajosa.¹

Em 16 de julho de 1938 ele venceu o Hollywood Gold Cup carregando 133 libras, mais de sessenta quilos, o maior peso da carreira.¹ Esse é o dado que a narrativa do azarão não acomoda. Na fase madura, Seabiscuit era o cavalo que os handicappers estavam tentando frear.

O aproveitamento sustenta a carga. Em 1937 ele venceu onze das quinze corridas que disputou, e em 1938 venceu seis das onze, incluindo Pimlico.¹ Um animal preguiçoso não recebe 133 libras, porque a comissão de handicap distribui peso a partir do que o cavalo fez na pista.

Pimlico, 1º de novembro de 1938: o contrato antes da corrida

A Daily Racing Form publicou na manhã da prova os termos integrais do acordo negociado entre Howard e Samuel Riddle, dono do War Admiral. Distância de uma milha e três dezesseis avos, cerca de 1.900 metros. Peso de 120 libras para cada um. Prêmio de 15 mil dólares e troféu ao vencedor. Caução de cinco mil dólares depositada por cada proprietário.⁵

Duas cláusulas dizem quanto os dois lados desconfiavam um do outro. A largada seria em movimento, com sino e bandeira do starter em vez do aparelho de partida, condição que favorecia o War Admiral, conhecido por sair rápido. E a corrida só aconteceria com pista rápida, cabendo a um árbitro neutro decidir até as oito e meia da manhã se o dia servia, com adiamento automático para 3 de novembro em caso contrário.⁵

War Admiral chegava como vencedor da Tríplice Coroa de 1937 e campeão em título daquela mesma prova, que ganhara na edição inaugural de 1937.⁶ Havia 40 mil pessoas no hipódromo e uma audiência estimada em 40 milhões no rádio.²

Como Seabiscuit venceu o Pimlico Special

Ele pagava 2,20 contra um favorito que pagava 1 para 4.¹ A cláusula da largada em movimento tinha sido escrita para o adversário, e Smith passou as semanas anteriores treinando um cavalo de espera para sair na frente, invertendo o próprio estilo dele.²

O chart registra Seabiscuit à frente já na primeira passagem e em todas as seguintes.¹ Os relatos contemporâneos descrevem War Admiral encostando na reta oposta e chegando a passar de raspão, num intervalo entre duas marcações do chart. George Woolf então afrouxou as rédeas para deixar o próprio cavalo enxergar o rival ao lado, seguindo uma orientação que recebera de Pollard, e pediu de novo a duzentas jardas do disco.²

Venceu por quatro corpos em 1min56s3/5, recorde da pista.¹ ⁶ O comentário do cronometrista naquele dia foi Driving, best, conduzido no chicote e melhor dos dois.¹

Santa Anita, 14 de fevereiro de 1939: duas palavras no chart

Três meses e meio depois de Pimlico, Seabiscuit correu uma milha em Santa Anita contra apenas dois adversários, com Woolf e 128 libras. Terminou em segundo atrás de Today. O cronometrista anotou duas palavras, Went lame, ficou manco.¹

Foi a única largada do ano, e rendeu 400 dólares.¹ O diagnóstico foi ruptura do ligamento suspensório do membro anterior esquerdo.⁷ Naquela primavera Howard já o cobriu com sete éguas, o que registra melhor que qualquer declaração o que a própria casa achava das chances dele.¹

Seabiscuit foi para o Ridgewood Ranch, em Willits, na Califórnia, onde Pollard também se recuperava de uma fratura grave de perna. O trabalho consistiu em caminhadas progressivamente mais longas ao longo de meses, com aumento gradual de carga.²

A medicina veterinária atual descreve esse caso como desmite do corpo do ligamento suspensório, lesão que é sobretudo de cavalo de corrida e que atinge principalmente os membros anteriores em puro-sangues.⁸ 

O manual veterinário de referência registra que a maioria dos casos agudos em membro anterior responde bem a repouso associado a exercício controlado por três a seis meses, com cerca de 90% de retorno à função, e que o retorno precoce ao trabalho costuma produzir recidiva.⁸ O que Smith fez em 1939 é, em linhas gerais, o que o protocolo moderno prescreve, aplicado ao tipo de lesão com melhor prognóstico e mantido por tempo suficiente.

2 de março de 1940: 130 libras e 2min01s1/5

O retorno foi em 9 de fevereiro de 1940, com Pollard de volta à sela. Terceiro lugar, com o chart anotando que correu apertado entre adversários. Em 17 de fevereiro foi sexto no San Carlos. Em 24 de fevereiro venceu o San Antonio Handicap batendo o companheiro de cavalariça Kayak II.¹

Em 2 de março de 1940, na terceira tentativa da carreira, venceu o Santa Anita Handicap com 130 libras, batendo Kayak II entre treze concorrentes e cobrindo os 2.000 metros em 2min01s1/5, novo recorde da pista. O comentário do chart diz que evitou o tumulto na primeira curva.¹ A aposentadoria foi anunciada em 10 de abril.²

1940: o primeiro livro sobre Seabiscuit tinha texto de abertura do dono dele

Poucas semanas depois daquela corrida, a editora Wilfred Crowell publicou Seabiscuit: The Saga of a Great Champion, escrito pelo cronista de turfe B. K. Beckwith. A edição limitada foi assinada por Charles Howard no texto de abertura dele e distribuída a amigos, familiares e sócios comerciais do proprietário.⁹ O primeiro relato completo sobre o cavalo foi, portanto, uma peça de comunicação de quem era dono dele.

O estilo está documentado. A crítica registra hipérbole e narração onisciente que aproximam o texto de um mito grego, com prosa mais parecida com locução de cinejornal que com reportagem.¹⁰ Foi ali que se fixou o retrato do baio emaciado, de membros curtos e temperamento preguiçoso, comprado numa reclamação barata em Saratoga.

Laura Hillenbrand se apoiou nesse livro ao pesquisar Seabiscuit: An American Legend, publicado em 2001, e o filme de 2003 saiu do livro dela.⁹ ¹¹ A cadeia inteira, de 1940 até hoje, passa pelo mesmo ponto de origem.
Quem chamou Seabiscuit de feio primeiro?A descrição das duas corridas de Saratoga que precederam a compra, no material que ainda circula, fala num animal gasto e de pernas ruins. O chart daquelas duas corridas registra duas vitórias, ambas anotadas como fáceis. As fontes também divergem sobre quem assinou o prefácio e quem assinou a introdução da edição de 1940, com Howard e o cronista Grantland Rice trocando de posição conforme o catálogo consultado. Vinte e sete anos depois, o mesmo Beckwith publicou Step and Go Together, livro em que descreveu a égua húngara Kincsem como desengonçada, de pescoço invertido e orelhas de mula, oitenta anos depois da morte dela e sem nunca a ter visto. O molde é o mesmo, aplicado duas vezes. ¹⁰ ¹²

Linha do tempo

1933Nasce em 23 de maio na Claiborne Farm, no Kentucky, criado pelo Wheatley Stable.
jan 1935Estreia em Hialeah numa prova de três furlongs. Na segunda largada, corre numa reclamação de 2.500 dólares sem ser comprado.
jun 1935Primeira vitória, na décima oitava tentativa, em Narragansett, numa reclamação de cinco mil dólares.
ago 1936Charles Howard o compra por 8.000 dólares em Saratoga, depois de duas vitórias consecutivas ali.
jul 1938Vence o Hollywood Gold Cup carregando 133 libras, o maior peso da carreira.
nov 1938Vence o Pimlico Special sobre War Admiral por quatro corpos, em recorde da pista. É eleito cavalo do ano.
fev 1939Rompe o ligamento suspensório em 14 de fevereiro. Única largada do ano.
mar 1940Vence o Santa Anita Handicap em 2 de março, aos sete anos, em recorde da pista. Última corrida.

Curiosidades

O nome veio de uma piada de bordoO pai dele se chamava Hard Tack, nome do biscoito duro que compunha a ração dos marinheiros em viagens longas. Sea biscuit, biscoito do mar, é sinônimo do mesmo pão duro. O criador batizou o filho repetindo a piada do pai, e o nome que o mundo associa a superação designa originalmente uma bolacha que os marinheiros detestavam.
A corrida que devolveu metade do preçoHoward pagou 8.000 dólares em agosto de 1936. Em 7 de setembro, na quinquagésima corrida da carreira do animal, o Governor's Handicap em Detroit pagou 5.600 dólares ao vencedor. Trinta e dois dias depois da compra, o cavalo tinha devolvido mais de dois terços do investimento numa tarde.² ¹
O companheiro de cavalariça que o ofuscavaNo Wheatley Stable, Seabiscuit vivia à sombra de Pompoon, potro da mesma casa e muito mais valorizado. No Santa Anita Handicap de 1938, com Seabiscuit já campeão da divisão de handicap, o chart registra Pompoon em terceiro, atrás dele.¹
Sete éguas em 1939Enquanto o cavalo se recuperava da ruptura do ligamento, Howard o colocou na reprodução e o cobriu com sete éguas na primavera daquele ano. Depois da aposentadoria definitiva, em Ridgewood, ele produziu 108 potros, e quase nenhum teve carreira relevante nas pistas.¹

Ficha técnica

NomeSeabiscuit, biscoito do mar, em referência ao pai, Hard Tack
Nascimento23 de maio de 1933, Claiborne Farm, Kentucky, Estados Unidos
Morte17 de maio de 1947, Ridgewood Ranch, Willits, Califórnia, de parada cardíaca
Raça e pelagemPuro-sangue inglês, baio. Cerca de 1,57 m na cernelha
GenealogiaPor Hard Tack, filho de Man o' War, em Swing On por Whisk Broom II
CriadorWheatley Stable, de Gladys Mills Phipps e Ogden Phipps
ProprietáriosWheatley Stable até agosto de 1936, depois Charles S. Howard
TreinadoresV. Mara e G. Tappen em 1935, James "Sunny Jim" Fitzsimmons e, a partir de agosto de 1936, Robert Thomas "Tom" Smith
Jóqueis principaisJohnny "Red" Pollard e George "Iceman" Woolf
Cartel89 corridas, 33 vitórias, 15 segundos, 13 terceiros
GanhosUS$ 437.730, recorde do turfe americano em 1940
Principais vitóriasPimlico Special (1938), Hollywood Gold Cup (1938), Santa Anita Handicap (1940), San Antonio Handicap (1940), Massachusetts, Brooklyn, Butler e Riggs Handicaps (1937), Agua Caliente e Havre de Grace Handicaps (1938)
PrêmiosCampeão americano de handicap em 1937 e 1938. Cavalo do ano em 1938. Hall da Fama em 1958
Produtos108 potros, entre eles Sea Sovereign e Sea Swallow
AcervoCharts completos das 89 corridas no National Museum of Racing, em Saratoga Springs. Estátuas em tamanho natural no Santa Anita Park e em Saratoga Springs
Quantas corridas Seabiscuit venceu?

Trinta e três, em 89 largadas, entre janeiro de 1935 e março de 1940. Somou ainda 15 segundos lugares e 13 terceiros, com ganhos de 437.730 dólares, recorde do turfe americano quando ele se aposentou. O registro completo, corrida a corrida, está publicado pelo National Museum of Racing em charts da Daily Racing Form.¹

Por quanto Seabiscuit foi comprado?

Charles S. Howard pagou 8.000 dólares por ele em agosto de 1936, em Saratoga. O preço costuma ser citado como prova de que ninguém acreditava no animal, e o registro mostra outra coisa: ele vinha de duas vitórias consecutivas na própria Saratoga, as duas anotadas pelo chart como fáceis. Um ano antes, aos dois anos, ele tinha corrido numa reclamação de 2.500 dólares sem que ninguém o comprasse.¹ ³

Por quanto Seabiscuit venceu o War Admiral?

Por quatro corpos, no Pimlico Special de 1º de novembro de 1938, em 1min56s3/5 sobre 1.900 metros, recorde da pista. Os dois carregaram 120 libras, cerca de 54 quilos, conforme os termos do acordo publicados naquela manhã. War Admiral pagava 1 para 4 e Seabiscuit pagava 2,20.¹ ⁵

Seabiscuit era feio e preguiçoso?

Essa descrição vem de um livro publicado em 1940 com texto de abertura assinado pelo próprio dono do cavalo, escrito pelo cronista B. K. Beckwith e distribuído a amigos e sócios comerciais de Charles Howard. Laura Hillenbrand se apoiou nele em 2001, e o filme de 2003 saiu do livro dela. Os charts registram um animal que aos quatro anos venceu onze das quinze corridas do ano e que a comissão de handicap tentava frear com 133 libras.⁹ ¹

O que aconteceu com Seabiscuit depois da lesão de 1939?

Ele rompeu o ligamento suspensório do membro anterior esquerdo em 14 de fevereiro de 1939, numa corrida em que o chart anotou apenas que ficou manco. Foi a única largada do ano. Passou meses em recuperação no Ridgewood Ranch com trabalho progressivo de caminhada, voltou a correr em 9 de fevereiro de 1940 e venceu o Santa Anita Handicap em 2 de março de 1940, aos sete anos, em tempo recorde da pista.¹ ⁷

O filme Seabiscuit é fiel à história real?

O filme de 2003 é fiel ao livro de Laura Hillenbrand, que por sua vez se apoiou parcialmente no livro promocional de 1940. A estrutura da história está correta e a moldura não está. O animal foi barato, teve uma temporada inicial ruim e voltou de uma lesão grave, e ao mesmo tempo carregava peso máximo, batia campeões e era favorito na maior parte das corridas da fase madura. O registro das 89 largadas permite separar uma coisa da outra.¹ ⁹

Fontes

  1. National Museum of Racing and Hall of Fame. Seabiscuit (KY). Biografia institucional, tabela de resultados ano a ano e arquivo em PDF com os charts completos das 89 corridas publicados pela Daily Racing Form, incluindo peso, jóquei, cotação, posição em cada passagem e comentário do cronometrista. Disponível em: racingmuseum.org.
  2. PBS, American Experience. Seabiscuit: Biography e Horseracing in the U.S. Cronologia detalhada de 1933 a 1947, com datas de compra, lesão, retorno e aposentadoria. Disponível em: pbs.org.
  3. Horse & Hound. The Seabiscuit story. Cronologia da carreira, com valor e data da compra por Charles Howard. Disponível em: horseandhound.co.uk.
  4. Wikipedia. Seabiscuit e Red Pollard. Síntese biográfica e dados de conformação. Consultado em julho de 2026. Disponível em: en.wikipedia.org/wiki/Seabiscuit.
  5. Daily Racing Form, 1º de novembro de 1938. The Pimlico Special: Terms of Agreement and Conditions Governing War Admiral–Seabiscuit Race. Termos integrais do acordo, publicados na manhã da corrida. Arquivo histórico digital da Universidade de Kentucky. Disponível em: drf.uky.edu.
  6. National Museum of Racing and Hall of Fame. War Admiral (KY). Cartel do adversário, vitória na edição inaugural do Pimlico Special em 1937 e contexto da Tríplice Coroa. Disponível em: racingmuseum.org.
  7. Santa Anita Park, via America's Best Racing. Santa Anita Park. Registro da ruptura do ligamento suspensório em 1939 e do retorno vitorioso em 1940. Disponível em: americasbestracing.net.
  8. MSD Veterinary Manual. Suspensory Desmitis in Horses. Classificação das lesões, prevalência em cavalos de corrida, prognóstico de cerca de 90% de retorno à função em membro anterior com repouso e exercício controlado por três a seis meses, e risco de recidiva no retorno precoce. Disponível em: msdvetmanual.com.
  9. BECKWITH, B. K. Seabiscuit: The Saga of a Great Champion. Wilfred Crowell, Inc., 1940. Edição limitada assinada por Charles S. Howard para distribuição a amigos, familiares e sócios comerciais. Reeditado pela Westholme Publishing em 2003, que registra que Laura Hillenbrand recorreu à obra em sua pesquisa.
  10. Publishers Weekly, resenha da reedição de 2003, reproduzida por Barnes & Noble. Avaliação do estilo de Beckwith, com registro de hipérbole e narração onisciente.
  11. HILLENBRAND, Laura. Seabiscuit: An American Legend. Random House, 2001. Base do filme dirigido por Gary Ross em 2003.
  12. BECKWITH, B. K. Step and Go Together: The World of Horses and Horsemanship. 1967. Origem documentada da descrição física atribuída a Kincsem.
André Ferreira

André Ferreira

André Ferreira é o responsável pela direção editorial do Multicavalos. Sua área é a pesquisa: reunir a origem e a história de cada raça a partir de fontes primárias, confrontá-las quando discordam e separar o que é dado firme do que é estimativa. É um trabalho de documentação, e cada perfil do acervo passa por esse cuidado antes de ir ao ar.